{"id":2649,"date":"2025-09-08T19:34:51","date_gmt":"2025-09-08T22:34:51","guid":{"rendered":"https:\/\/enois.org\/?p=2649"},"modified":"2025-09-08T19:34:51","modified_gmt":"2025-09-08T22:34:51","slug":"empreender-ou-precarizar-o-no-do-trabalho-em-jornalismo-e-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dev.enois.org\/en\/empreender-ou-precarizar-o-no-do-trabalho-em-jornalismo-e-comunicacao\/","title":{"rendered":"Empreender ou precarizar? O n\u00f3 do trabalho em jornalismo e comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p id=\"ember2733\">Em apenas uma d\u00e9cada, quase 1 em cada 5 empregos formais no jornalismo desapareceu. No mesmo per\u00edodo, ganharam corpo iniciativas independentes de jornalismo e comunica\u00e7\u00e3o, alternativas aos grandes conglomerados, e que buscam, em meio a tantas dificuldades, reinventar sua pr\u00f3pria sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2734\">Temos ent\u00e3o, um <strong>ecossistema fr\u00e1gil de trabalho<\/strong>: menos estabilidade e mais precariza\u00e7\u00e3o, marcada por terceiriza\u00e7\u00e3o e pejotiza\u00e7\u00e3o. Onde empreender, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 op\u00e7\u00e3o, mas necessidade. N\u00f3s j\u00e1 falamos um pouco sobre isso em artigo publicado pela diretora de sustentabilidade da \u00c9nois, Simone Cunha, e pela coordenadora da pesquisa da Retrato do Jornalismo Brasileiro, Angela Werdemberg.Como o estudo Retrato aponta, nesse ecossistema temos, de um lado, muitas mulheres negras e perif\u00e9ricas que t\u00eam de pagar para manter suas iniciativas. S\u00e3o CEOs volunt\u00e1rias, como descreve o CEERT, parceiro da \u00c9nois na pesquisa. De outro, jornalistas homens brancos desenvolvendo suas iniciativas e conseguindo contratar at\u00e9 5 funcion\u00e1rios.<a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/feed\/update\/urn:li:activity:7310375040619847681\/\">Voc\u00ea pode ler mais sobre isso nesse post.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2735\">A professora <strong>Roseli Figaro<\/strong>, coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunica\u00e7\u00e3o e Trabalho (ECA-USP), que estuda as mudan\u00e7as trabalhistas na \u00e1rea h\u00e1 20 anos, aponta que essa n\u00e3o \u00e9 uma crise pontual do jornalismo ou da comunica\u00e7\u00e3o. Outras \u00e1reas, como a educa\u00e7\u00e3o e as artes, passam pelo mesmo. Isso porque, como destaca Figaro, \u201c<strong>a agenda contempor\u00e2nea dos \u00faltimos 20 anos do neoliberalismo \u00e9 extrair mais valor do trabalho<\/strong>\u201d. O que, por meio de uma campanha narrativa e ideol\u00f3gica, transformou a luta por direitos em \u201ccoisa de quem n\u00e3o quer trabalhar\u201d. Esse processo, agravado pela crise de 2008, pela ascens\u00e3o das empresas de plataformas digitais e pela pandemia, caminhando para um agravamento.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2738\">Figaro alerta que com a chegada da intelig\u00eancia artificial generativa, h\u00e1 risco de uma banaliza\u00e7\u00e3o do trabalho humano, transformando quem n\u00e3o se encaixa no modelo de \u201cempreendedor de sucesso\u201d ou \u201cinfluencer\u201d, em cidad\u00e3os de segunda categoria, for\u00e7ados a sobreviver em condi\u00e7\u00f5es cada vez mais fr\u00e1geis.&#8221;Isso n\u00e3o vai parar, isso vai se aprofundar. Com a intelig\u00eancia artificial generativa, n\u00f3s vamos ter um aprofundamento ainda maior com a precariza\u00e7\u00e3o e a desespecializa\u00e7\u00e3o e a banaliza\u00e7\u00e3o do trabalho humano. Quem n\u00e3o pode ser um influencer, quem n\u00e3o \u00e9 um sucesso como empreendedor, passa a ser um cidad\u00e3o de segunda categoria que tem que trabalhar em condi\u00e7\u00f5es vis para sua sobreviv\u00eancia&#8221;, alerta <strong>Roseli.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2739\">Enquanto se enfrenta esse cen\u00e1rio, as <strong>condi\u00e7\u00f5es de trabalho obrigam a ceder um recurso valioso<\/strong> que comunicadores e jornalistas t\u00eam em suas m\u00e3os: o conhecimento sobre nosso of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2740\">Todos os dias, sem sequer perceber, quando ligamos o computador ou pegamos o celular para trabalhar, livremente fornecemos dados que s\u00e3o usados por Google, Meta e Microsoft para gerarem novos produtos que ser\u00e3o vendidos a n\u00f3s para seguir fazendo um trabalho precarizado. O centro de pesquisa tem estudado essa realidade e tamb\u00e9m acompanhado de perto, desde 2010, organiza\u00e7\u00f5es fundadas por jornalistas para produzir jornalismo de qualidade, voltado a causas populares e democr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2741\">Depois da pandemia, os pesquisadores e pesquisadoras da USP queriam saber como estavam as iniciativas. Das 70 inicialmente levantadas, 47 ainda estavam ativas. Essas iniciativas resistem, mas em condi\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia tecnol\u00f3gica cada vez maiores.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2742\">Diante do cen\u00e1rio de precariza\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia das plataformas digitais, surgiu no CPCT a pesquisa \u201c<a href=\"https:\/\/comunicacaoetrabalho-datificacao.eca.usp.br\/\">Datifica\u00e7\u00e3o da atividade de comunica\u00e7\u00e3o e trabalho de arranjos de comunicadores<\/a>\u201d, financiada pela FAPESP. Ela analisou os termos de uso dessas empresas, revelando que todas <strong>reivindicam posse e uso dos dados de usu\u00e1rios<\/strong> de forma dissimulada.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2743\">\u201cVoc\u00ea tem que se aprofundar na leitura e na investiga\u00e7\u00e3o pra chegar nessa conclus\u00e3o de que todas elas fazem isso. E ainda assim, n\u00e3o temos clareza para que usam os dados\u201d, aponta Figaro.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2744\">O CPCT tamb\u00e9m levantou como as big techs operam financeiramente, como os dados s\u00e3o capturados, como registram patentes e transformam dados em novos produtos. No in\u00edcio de novembro, um relat\u00f3rio sobre o perfil das empresas ser\u00e1 publicado <a href=\"https:\/\/comunicacaoetrabalho-datificacao.eca.usp.br\/\">no site da pesquisa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2745\">O ponto \u00e9 que a quest\u00e3o \u00e9 estrutural e coletiva: exige <strong>movimentos organizados que reconhe\u00e7am o trabalho comunicacional como valor e reivindiquem direitos tamb\u00e9m sobre os dados gerados no processo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Exigem o entendimento do campo da comunica\u00e7\u00e3o como uma classe de trabalho, uma articula\u00e7\u00e3o pela valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho, que traria benef\u00edcios e estabilidade a todos.<br><br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cSe essas iniciativas jornal\u00edsticas t\u00eam de fato interesse na democracia e no bem estar da popula\u00e7\u00e3o, precisam se ver dentro desta luta. N\u00e3o existe um planeta em que a gente possa se refugiar dessas condi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 com a verba do Soros, da Ford, etc, que n\u00f3s vamos resolver esse problema. Essa \u00e9 uma sa\u00edda individual\u201d, provoca Figaro.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO problema \u00e9 muito maior. A gente tem que se olhar nesse conjunto. De fato ter elementos pra provar que o nosso trabalho est\u00e1 sendo espoliado e estamos passando por uma despossess\u00e3o do nosso saber fazer, e isso vale muito dinheiro. Precisamos provar isso e fazer um movimento pra exigir o que \u00e9 nosso.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p id=\"ember2751\">Enquanto o STF n\u00e3o decide sobre a legalidade da pejotiza\u00e7\u00e3o, sindicatos e coletivos lutam por contratos mais justos, pisos salariais e canais de den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2752\">Paralelamente, o <a href=\"https:\/\/atlas.jor.br\/\"><strong>Atlas da Not\u00edcia 2025<\/strong><\/a> mostra uma queda nos desertos de informa\u00e7\u00e3o, puxada por ve\u00edculos digitais e comunit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2753\">\u00c9 um sinal de resist\u00eancia, mas a manuten\u00e7\u00e3o e sustentabilidade a longo prazo dessas organiza\u00e7\u00f5es \u00e9 ponto crucial para que n\u00e3o reproduzam e nem se deixem capturar pelos mecanismos de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"ember2754\">Na \u00c9nois, acreditamos que <strong>empreender na comunica\u00e7\u00e3o<\/strong> deve significar estruturar trabalho justo e digno, e n\u00e3o precarizar. Debater sobre direitos e a datifica\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 disputar tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es de vida e de democracia para quem faz comunica\u00e7\u00e3o nas pontas. Como voc\u00ea e sua iniciativa t\u00eam refletido sobre esses temas? Esse debate t\u00eam sido levantado nos grupos com os quais voc\u00ea se relaciona? Que solu\u00e7\u00f5es t\u00eam sido pensadas coletivamente?<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em apenas uma d\u00e9cada, quase 1 em cada 5 empregos formais no jornalismo desapareceu. No mesmo per\u00edodo, ganharam corpo iniciativas independentes de jornalismo e comunica\u00e7\u00e3o, alternativas aos grandes conglomerados, e que buscam, em meio a tantas dificuldades, reinventar sua pr\u00f3pria sustentabilidade. 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