Como buscar mudanças estruturais sem investir na estrutura?

Existe um movimento do capitalismo, que não é nenhuma novidade, de atrair investimentos em torno de eventos. É quase como a pergunta do ovo e da galinha: os investimentos existem por conta do evento ou o evento é o que mobiliza os investimentos? Fato é que grandes eventos movimentam a economia. Quando falamos da Conferência do Clima, não é diferente. Esse grande evento mobiliza o mercado imobiliário, turístico, hoteleiro, de serviços e, claro, o terceiro setor.

Na Énois, temos observado como as instituições filantrópicas têm se voltado a financiar organizações em Belém e na região amazônica em razão da COP-30 acontecer ali. O que chama a atenção é a maneira como isso tem acontecido.

“Muitos desses financiamentos são voltados exclusivamente para ações pontuais, não têm um compromisso com a continuidade e o fortalecimento institucional a longo prazo e estão sendo direcionados para grandes organizações”, diz Marcos Wesley, Assessor Político e Institucional do Comitê COP-30 e co-fundador do Tapajós de Fato.

Financiadores se veem às voltas sem saber como atuar para apoiar o desenvolvimento territorial voltado à sustentabilidade ou escolhem deliberadamente manter ações pontuais, evitando mudanças estruturais? O ovo ou a galinha.

A situação é ainda mais difícil para a comunicação popular e para ações voltadas às periferias e comunidades tradicionais – geralmente fora do foco de financiadores socioambientais e com dificuldade para se enquadrar nas exigências dos editais. Assim, coletivos e veículos de comunicação seguem sem conseguir garantir sustentabilidade após a COP.

“Há muita grana rolando em relação à COP e há promessa de mais grana ainda, mas isso não está chegando na ponta”, relata Cecília Amorim, co-diretora da Agência Afroindígena Carta Amazônia de Jornalismo Ambiental. Ela conta que a organização tem sido sondada para financiamentos, mas nenhum apoio se confirma.

Rio de Janeiro (RJ) 20/09/2024 – Manifestação Marcha pelo Clima, que se realiza anualmente em diversas cidades do mundo e alerta para a crise climática e o aumento dos eventos climáticos extremos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Quando voltamos ao campo, vemos que as respostas já existem. Consultar as iniciativas, escutar e redesenhar as metodologias de financiamento é um caminho corajoso diante da cacofonia salvacionista. E comunicação é uma ferramenta de transformação social quando falamos de clima, porque falar de clima é falar de alimentação, transporte, políticas públicas e sobrevivência diária.

Quem está pautando isso nas periferias? E como?

A comunicação precisa ser vista como pilar estratégico da agenda climática, mas não é. “Pouquíssimas filantropias apoiam comunicação. Menos ainda o jornalismo. É visto como secundário, mesmo quando se reconhece seu papel”, aponta Gave

Sabemos que a maioria das iniciativas de comunicação popular existe porque indivíduos e pequenos grupos acumulam outros trabalhos e mantêm esses projetos por conexão com sua comunidade – como já mostrou a pesquisa Retrato do Jornalismo Brasileiro.

A Conferência do Clima é importante. Mas tão importante quanto ela é a construção diária de soluções resilientes, de cooperação comunitária e de educomunicação nos territórios. As iniciativas periféricas precisam de mais do que doações pontuais e agendas sazonais – precisam de estrutura, continuidade e investimento real.

É com presença nos territórios que desarmamos a desinformação

Se por um lado vemos o enfraquecimento de maneiras de qualificar o acesso à informação nas redes sociais, e o avanço de estratégias de desinformação também no offline, por outro, aqui na Énois, temos experimentado maneiras de fortalecer o tecido social por meio de acesso de informação verificada e de qualidade.

Entendemos que fortalecer o tecido social é fortalecer as conexões e discussões no “mundo real”. Em encontros que acontecem corpo a corpo. No ano passado, com o programa Diversidade nas Redações 3: Desinformação e Eleições, tivemos diversas experiências que promoveram esse fortalecimento.

Pudemos perceber como, ao abraçar a proposta de promover eventos de discussão sobre desinformação, esses espaços se tornaram potência de articulação territorial entre as iniciativas de comunicação popular e jornalismo com outras organizações e pessoas nos territórios que atuam. São pessoas se juntando a outras pessoas com o objetivo de melhorar o acesso à informação verificada em cidades como Belém, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Juazeiro e São Paulo.

Para algumas iniciativas de comunicação, não foi uma novidade, mas um impulsionamento para ir mais longe. Para outras, foi uma virada de chave.

O evento da Agência Carta Amazônia, em Belém, reuniu a diretora de uma escola municipal localizada na Ilha do Combu, um vereador, membros dos sindicatos de jornalistas e familiares.

Em Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, a Agência Lume reuniu organizações de diversos setores que atuam na favela para promover a troca de experiências e diálogos em prol da região de Rio das Pedras e da Baixada de Jacarepaguá.

O Nonada conseguiu articular com um coletivo de Slam para realizar uma batalha de poesias sobre desinformação para uma turma do Ensino de Jovens e Adultos de Porto Alegre, durante a Feira do Livro local.

O Sul21, também de Porto Alegre, encerrou o programa com um encontro sobre informação falsa junto a um grupo de trabalhadoras domésticas.

O Carrapicho Virtual, de Juazeiro, na Bahia, realizou eventos com jovens que passaram a mapear a desinformação em seu território, no sertão baiano, e a carregar esse conhecimento consigo.

A gente acredita que a desagregação social é também uma estratégia de desinformação. Promover encontros e seguir apoiando iniciativas que fazem o debate acontecer no chão pode parecer pequeno, mas tem efeitos profundos e transformadores para quem vive esses encontros. Que lembremos disso durante os próximos meses.

Texto por: Jessica Mota, coordenadora do Laboratório Énois

15 anos de Énois em organogramas

A sua organização vai mudar com o tempo e isso não precisa ser um problema

Por Amanda Rahra, diretora de mobilização e Helena Dias, coordenadora de comunicação institucional
No início de 2024, ano em que a Énois completa 15 anos, nos tornamos um baobá. Falo do nosso organograma que começou a tomar forma em uma reunião da direção, já com a presença de Sanara Santos como diretora de formação, e com o desenho da nossa coordenadora de Comunidades à época, Isabela Alves. Isa com suas muitas habilidades no desenho fez “vai ser um baobá” de uma forma muito descontraída, e nós fomos lá com os post its pensando em como nos organizar de maneira conectada com a nossa estrutura. Estrutura que não significa rigidez, mas sim alicerce.

Elas montaram, tiraram foto e passaram para mim, Helena Dias, junto com a nossa teoria da mudança, sabendo já do desafio que ia ser unir as duas coisas. Isso era entre janeiro e fevereiro deste ano, o baobá em sua forma final nasceu em abril. Neste caminho de pensar o baobá e se apaixonar por ele, decidimos revisitar a história da Énois e percebemos que, ao longo desses 15 anos de existência, os nossos organogramas também contam a nossa história. O que fomos, o que escolhemos ser e o que continuamos a escolher.

Nunca foi só sobre jornalismo, mas sim sobre o que o jornalismo pode mover no mundo. E isso expandiu de tal forma que hoje a Énois dá oficinas, consultorias e mais outras formações sobre gestão, captação, dar nó em pingo d' água… Sobre como continuar existindo como organização social nesse Brasil de tantas lutas a se travar.

Em 2023, estivemos no Festival 3i, mediando um workshop sobre “Gestão de pessoas para pequenas redações”, por meio da nossa coordenadora de Relações Humanas, Flávia Paola. Este ano, no 19º Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji, Sanara Santos mediou a palestra “Como a mídia independente cuida da saúde mental da sua equipe?” e participamos do debate “Entre a CLT e a vida freelancer, quem apoia e assegura o profissional em carreira solo?”, também com a presença de Flávia, por exemplo.

Tudo muito sobre gente, direitos, diversidade. Entre 15 anos e alguns organogramas, aprendemos a ter paciência com a nossa forma de ser, fluida, disposta a se reinventar, se for necessário para o próximo passo. Em coletivo, em colaboração, assim como eu e Amanda Rahra escrevemos este texto.

Hoje compartilhamos com a nossa rede e dizemos como mantra para nós mesmas que não precisamos nos encaixar totalmente em estruturas ditas tradicionais, hegemônicas. Não se encaixar, se transformar, não precisa ser um problema se a missão vai ser melhor atendida. Se vamos nos respeitar um pouco mais enquanto organização e se os nossos valores serão ainda mais valorizados. E posso te contar? O tempo vai se encarregar de pedir essa mudança de estrutura. Vê bem…

15 anos, 3 organogramas 

E na decisão de revistar a história, a tarefa ficou comigo, Amanda Rahra…
No primeiro organograma, a gente ainda era uma oficina de jornalismo para jovens na Casa do Zezinho, a semente que se transformou nessa árvore que é hoje a Énois. Foi quando começamos com esse lance de fazer planejamento das coisas que queríamos para o ano seguinte. Achávamos importante sonhar sonhos possíveis e pensar nas estruturas que precisávamos construir juntas. Planejar sempre significou pra nóis saber quem ia estar junto com a gente, fazendo o quê, com quem e ganhando quanto.

Ah, sou boa no texto e vou escrever o projeto. Eu sei diagramar e vou deixar esse texto bonito. E você, cuida da foto? Você faz lindas fotos, mana, cai dentro! Sei de uma amiga que faz umas ilustras belíssimas! Vou chamar ela pra colar! E quem vai ficar fazendo contatinhos? Vamos colocar o telefone de quem no final da nossa apresentação de vendas? Pronto, é isso. Nossos nomes e funções para quando a grana chegar a gente botar pra fazer já organizadaaaaas :) 

E assim a gente ia se organizando no que depois entendi que se chamava organograma - um instrumento super importante de gestão, sobre o qual admers tinham aulas e aulas para inclusive prestar consultorias e construir organogramas complexos e ao mesmo tempo funcionais para empresas e organizações. 

A gente desenhava as funções de cada uma de nós e colocava na parede, para não esquecer com o que estávamos comprometidas individualmente e quem estava perto para somar. Criamos até uma aula para ajudar nossas estudantes da Escola de Jornalismo da Énois e outros coletivos de jornalismo parceiros a criar seus organogramas de seus projetos, redações e organizações nascentes. 

Hoje, olhando para esses 15 anos de Énois, entendemos que nos organizar, para a nossa coletividade diversa (especialmente em termos de gênero, raça e território), tem a ver com sobrevivência. Nosso grupo parecia uma grande confusão, mas a verdade é que não dava para ficar confusa - mesmo sem saber direito o que estávamos fazendo, a gente tinha que se entender para conseguir seguirmos juntas. E desenhar nos ajudava - e ainda nos ajuda muito! - a nos entender como uma organização, um coletivo, um sistema, um corpo, uma árvore. 

Quando a equipe cresceu, a gente achou que estava na hora de ter um organograma de "verdade", com todos os cargos, funções e nomes das pessoas. Então, fizemos as caixinhas e depois colocamos nossos nomes no desenho:
Era tanta informação e hierarquias tão rígidas que acabou gerando uma baita confusão!
Olhando bem até que parece a copa de árvore vista por cima ;)

Depois disso, desenhamos a nossa mandala organograma. Uma tentativa meio holística de tornar nossa organização menos hierárquica. E por que menos hierárquicas?

Acredito que a gente quer menos hierarquia porque nosso fazer tem a característica da coletividade, do engajamento, de uma pessoa ajudando a outra para que juntas a gente possa realizar a missão da Émois. Temos sim mais responsabilidades, salários diferentes, tempos de casa, idades e caminhosdiversos. Mas atuamos como uma só organização que tem na sua fundação a educação como pilar. A gente não nasceu dentro de uma redação, nascemos em uma ONG de educação, em que a troca de conhecimento entre estudantes e professoras é dialógica, ou seja, baseada na troca e não na transmissão de saber em uma única via.
E, enfim, em 2020, desenhamos nosso primeiro organograma árvore. E ficamos muito satisfeitas com o que vimos no papel, espelhando nosso fazer. 

Depois disso, voltando na conversa de Helena lá em cima, construímos o baobá. Uma estrutura de árvore, com cara de árvore mesmo, que traz para nós a sintonia de como operamos no dia a dia.
Esse breve histórico mostra algumas das nossas tentativas de nos organizarmos. Cada uma teve seu tempo de funcionamento e expressou um momento da organização. É engraçado olhar o caminho depois de percorrido. Parece que faz mais sentido do que quando estava sendo vivido, porque ele, afinal, nos trouxe até aqui. Mas achamos importante dizer que acreditamos que um organograma tem que expressar o que somos: um grupo de pessoas diversas querendo caminhar juntas com uma missão comum, que é fortalecer o jornalismo local, diverso, representativo. Esse é o nosso mantra e esse é o nosso novo organograma: CLIQUE AQUI!

Nosso baobá, desenvolvido pela dupla de comunicação Helena e Nina, está lindo, robusto, solene. Carrega em si muitos símbolos sobre as estruturas que queremos provocar - a começar pelos tradicionais organogramas de empresas e organizações de terceiro setor - e aquelas que queremos construir: organismos vivos, que se revejam e sejam capazes de partilhar seiva e energia para todas as pessoas que pertencem a esse sistema. 

É uma árvore em si, mas é também sombra para pequenos brotos, vizinha para outras espécies da flora local, fonte de alimento para animais, sugadora de água do mesmo solo que seres humanos e não humanos. 

Chegamos juntas a um nível sem precedentes de consciência do que somos. 
E o que somos é uma parada muito forte e bonita. 

Por isso, querermos ser exemplo.
E isso é uma responsabilidade imensa. 

Me sinto honrada por ser raiz. 
E com frio na barriga por ser parte dessa Baobá. 

Quanto mais consciência, maior é o nosso trabalho. Que a gente siga sempre buscando conhecimento, respeitando quem veio antes e trazendo novas soluções para espelhar o que aprendemos aqui para esse campo do jornalismo e do empreendedorismo local, diverso e representativo. 

Como fazer o organograma da sua organização
Você sempre pode chamar aquela amiga que estudou administração ou que trabalha numa organização mais estruturada e copiar o organograma de algum lugar que você admira. Mas se quiser se aventurar a desenhar com a sua equipe, pode ser um belo caminho de fortalecimento dos vínculos entre vocês e também pode trazer uma consciência maior do que fazem, com quem fazem e como fazem. Para isso, seguem aqui 6 dicas para que vocês possam fazer o organograma da sua organização. 

1. Reúna sua equipe para um momento de reflexão coletiva sobre cargos, funções e fluxos de trabalho - vale tirar um dia, uma manhã, algumas horas juntos para que o desenho seja feito coletivamente. Se for presencial, melhor. Se for online, vale planejar o encontro para que seja participativo e não fiquem sempre as mesmas vozes ecoando no encontro.
Vale lembrar que  se sua organização for mais hierárquica, talvez as pessoas reunidas para organizar esse organograma sejam mais da equipe de gestão, responsáveis pela operação dos projetos da organização e que tenham também a função de liderar outras pessoas. 

2. Liste todas as pessoas e funções que vocês tem na organização. Por exemplo:  
Nome da pessoa 1 - Coordena todas as nossas ações de comunicação. Isso significa que essa pessoa toma as decisões nessa área da organização. É responsável por aquilo que publicamos para nossa equipe e pelos conteúdos que circulam em nossos canais de comunicação para rede e para os nossos públicos.
Nome da pessoa 2 - Faz os roteiros, vídeos e postagens nas nossas redes. 
Nome da pessoa 3 - Garante que nossa voz como organização esteja alinhada com a nossa missão no mundo e promove o diálogo da instituição com as pessoas que financiam a organização.  

3. Entenda as faixas salariais como balizas de responsabilidade de cada pessoa/função e crie cargos que ajudem a descrever o fazer das pessoas. 
diretora, coordenadora, analista, estagiária, etc.
Busque nomes que sejam adequados pra vocês se entenderem e para que as pessoas com quem vocês se relacionam também possam compreender. 

4. Desenhe a relação entre essas pessoas. 
Quem lidera quem? Quem olha pelo trabalho de quem? 
Quem conta com o apoio de quem? 
Ligue os pontos ;)

5. Se no dia a dia houver desconforto, reveja, conversem e cheguem a um novo formato. Mas atenção: às vezes essa acomodação pode levar um tempo, então, colocar prazos para essa revisão de organograma pode ser uma estratégia para dar um tempo sem deixar de olhar novamente para o desenho que representa o fazer de vocês. 

6. Pra gente o jeito certo de fazer é o jeito que vocês encontraram de fazer dar certo! Boas conversas, desenhos e caminhos. Que nosso baobá possa te inspirar :)

Rede nacional de checagem das Eleições 2024

10 organizações distribuídas em todas as regiões do Brasil fazem parte do programa Diversidade nas Redações - Desinformação e Eleições, coordenado pela Énois Laboratório de Jornalismo
89% das pessoas moradoras de periferias no Brasil já foram vítimas de notícias falsas, de acordo com o Instituto Data Favela, em pesquisa divulgada em julho deste ano e, segundo o Instituto Locomotiva, 90% da população brasileira admite ter acreditado em fake news. Isso indica que combater a desinformação eleitoral de maneira assertiva só é possível em rede e conhecendo os diversos territórios populares do nosso país.
Pensando nisso, a Énois Laboratório de Jornalismo junto às organizações Agência Lume (RJ), Carta Amazônia (PA), Carrapicho Virtual (BA), Com_Texto (MT), Correio do Lavrado (RR), Olhos Jornalismo (AL), Nonada Jornalismo (RS), Teatrine TV (MS), Transmídia (SP) e Sul21 (RS) lançam nesta quinta-feira (15/08) o programa Diversidade nas Redações - Desinformação e Eleições, com patrocínio da Google News Initiative. Ainda, o projeto conta com o apoio da Agência Lupa, Agência Tatu, do Desinformante e do Reocupa.
O Diversidade nas Redações é um programa de treinamento da Énois, que tem centralidade no fortalecimento institucional e financeiro de redações jornalísticas, por  meio do impulsionamento da diversidade de gênero, raça e território. O foco na temática da desinformação e eleições, com checagem de notícias falsas veiculadas por Whatsapp,  marca o terceiro ciclo do programa que traz um diferencial na distribuição de recursos para as organizações envolvidas.
Desde a sua primeira edição, o Diversidade nas Redações nunca chegou ao valor de R$ 40 mil destinados para cada iniciativa, totalizando R$ 400 mil investidos pelo programa na rede parceira. Esse diferencial da edição é fruto de muita escuta do campo do jornalismo local sobre as suas principais demandas. Redações locais conseguem identificar desinformação com mais facilidade por terem mais proximidade com quem vive nos territórios. Fortalecer essas iniciativas é expandir as possibilidades desse ecossistema jornalístico, como mostra o relato de Géssika Costa, fundadora do Olhos Jornalismo (AL).
“Em quatro anos de existência, essa é a primeira vez que entra um recurso dessa ordem para o Olhos. Sabemos o quanto é difícil e burocrático sermos contemplados em editais nacionais e internacionais e ter um pouco mais de flexibilidade para o uso do dinheiro. Entendemos que esse recurso vai ser um divisor de águas na nossa história porque vai nos ajudar a fazer uma cobertura relevante das eleições e apoiar na estrutura geral para os próximos meses”.
O impacto do Diversidade nas Redações - Desinformação e Eleições para o portal Transmídia não é diferente. “Em termos de estrutura organizacional e financeira, é bastante significativo. Em setembro, lançaremos oficialmente o nosso site, o primeiro portal de notícias focado exclusivamente na pauta da população trans no Brasil. Com o projeto, começaremos nossas produções cobrindo as eleições, produzindo reportagens aprofundadas e estabelecendo parcerias que são essenciais para o nosso crescimento”, conta Caê Vatiero, cofundador do Transmídia.
A essência do Diversidade nas Redações e da Énois é o compartilhamento de conhecimento, e nesta edição o programa tem um caráter de multiplicação. Desde julho de 2024, as 10 iniciativas de jornalismo local parceiras estão participando de formações temáticas sobre checagem, mapeamento de desinformação, produção cultural e engajamento comunitário. Formações que serão multiplicadas nos territórios em que elas estão inseridas, alcançando um público pessoas que atuam com jornalismo local, comunicação e cultura. As formações serão gratuitas, online, e as datas estarão disponíveis nas redes sociais da Énois a partir desta quinta (25): @enoisconteudo
“A maioria das organizações parceiras no projeto já andam junto com a Énois há bastante tempo. Algumas, a gente viu surgir e crescer e decidimos resgatar essa relação em rede pensando no que faz sentido para elas, desde a questão de recursos até o foco na cobertura das eleições mesmo. Optamos por articular com duas organizações por região e fomos apresentando o projeto”, afirma Sanara Santos, coordenadora do Diversidade nas Redações - Desinformação e Eleições e diretora de Formação da Énois.
A desinformação em contextos de eleições é uma preocupação global, já que tem sido utilizada como estratégia política e de poder por diversos grupos políticos, em sua maioria de extrema-direita. O direito à informação de credibilidade, indispensável à democracia, está diretamente ligado com a escolha do voto. Em contextos periféricos essa relação toma outras proporções quando relacionada à falta de internet de qualidade e à ausência de outros direitos básicos.
"Veículos de notícias pequenos e médios são os responsáveis, muitas vezes sozinhos, por produzir jornalismo e checar informação para suas comunidades ou municípios. Por meio da Google News Initiative, buscamos apoiar iniciativas como a da Énois e fortalecer o jornalismo local, algo especialmente importante neste momento de eleições", explica Marco Túlio Pires, gerente de Parcerias de Notícias do Google no Brasil.
Após o período de formação nos territórios do projeto, a fase de checagem será iniciada em 29 de agosto. Cada organização irá mapear grupos de Whatsapp que circulam em seus territórios, espaços em que podem circular desinformação. A partir desse mapeamento, elas devem identificar notícias falsas ligadas com o contexto eleitoral. A metodologia utilizada é a do Checazap, primeiro projeto de checagens de notícias a atuar dentro do WhatsApp no Brasil, desenvolvido pela Escola de Jornalismo da Énois e o Data_Labe. E, para além das checagens, também serão produzidas matérias colaborativas com os territórios, diante das suas especificidades quando o assunto é desinformação.
A ideia é articular a distribuição de checagens e matérias jornalísticas. Assim como eventos de debates sobre desinformação e territórios,  com artistas, lideranças comunitárias, influenciadores e influenciadoras digitais nas comunidades, no pós eleições. As checagens e matérias, assim como mais informações sobre o Diversidade nas Redações - Desinformação e Eleições poderão ser conferidas nos sites e nas redes sociais da Énois Laboratório de Jornalismo e das organizações parceiras. Checagens e matérias do projeto podem ser republicadas, é só entrar em contato: sanara@old.enoisconteudo.com.br
Para apoiar o trabalho da Énois, é possível fazer doações para a campanha recorrente da organização.

A primeira casa a gente nunca esquece

Antes de seguir para história de hoje, quero aproveitar e te pedir uma força. A Redação Aberta, nosso evento recorrente que acontecia online desde a pandemia, vai voltar a ser presencial.

Queremos aprofundar as relações e fomentar articulações entre jornalistas da nossa rede. A primeira edição neste formato vai ser no Capão Redondo, em São Paulo, em parceria com o Manda Notícias, Escola de Dados e Base dos Dados. Saiba mais no nosso Instagram.

Para fazer essa ideia acontecer, estamos levantando uma grana na nossa campanha de financiamento recorrente. Com uma assinatura de R$ 10 mensais você já apoia demais o nosso corre. Clique aqui e assine! Compartilhe com seus contatos! 

Voltando para a nossa newsletter… Você sabia que antes de ser chamada Énois, éramos conhecidas pelo projeto da revista Zzine? 

Bom, e falando em Capão Redondo, você vai entender hoje como essa região faz parte da história da Énois.

Para celebrar nossos 15 anos, não poderia deixar de visitar a primeira casa que nos acolheu. A Casa do Zezinho, ONG localizada na Zona Sul de São Paulo, numa região que engloba Capão Redondo, Jardim  Ângela e Jardim São Luís, e que oferece oficinas socioeducativas para cerca de 1.200 crianças e jovens no contraturno escolar. 

Foi lá que, em 2009, Amanda Rahra e Nina Weingrill, fundadoras da Énois, junto a outras profissionais e jornalistas-educadoras como Ana Aranha, Paula Takada e Mauricio Monteiro Filho, iniciaram o projeto da revista Zzine.

Nesse momento, o nome Énois ainda não existia. 

A Zzine era produzida em oficinas para jovens com uma média de 17 anos, em turmas com aproximadamente 19 jovens. As formações eram voltadas para áreas da produção jornalística como design, fotografia, escrita e entre outras. 

Os temas das edições e a linguagem eram escolhidos junto dos jovens repórteres. Foi assim que nasceu a primeira edição “Amizade Colorida: histórias de amigosnamorados e namoradosamigos”. 

No nosso acervo, você pode conhecer também as edições sobre bullying, sobre a necessidade de usar redes sociais com moderação, sobre mães que aprenderam a ler e filhos que aprenderam a ensinar e sobre a primeira edição da Copa Parque Santo Antônio.

Eu não poderia deixar de ir à Casa do Zezinho pra conhecer melhor essa história. 

Quem me recebeu lá foi Michael Douglas, ex-estudante da Zzine e atual coordenador de comunicação da Casa do Zezinho. Michael entrou no curso logo no início do projeto, em 2009. Tinha a função de elaborar o design das revistas. 

Para ele, a revista lhe proporcionou uma perspectiva de futuro. “A Énois marcou minha vida. O projeto já tinha uma energia única, reunindo mentes criativas em torno de uma causa nobre como a Casa do Zezinho. Foi uma experiência transformadora ver fotografia, design, escrita e outras áreas se unirem para expandir a visão dos jovens. Eu fui um dos beneficiados, especialmente na área de design, que não só me deu uma visão de trabalho, mas também um caminho claro para meus objetivos futuros”, comenta Michael.

Ao andar pelos corredores e salas da Casa do Zezinho, o espaço me lembrou muito a estrutura de uma escola. A grande diferença é que há inúmeras artes espalhadas pelo espaço. Artes de cerâmica, frases de filosofia, poemas e outros formatos que chamam bastante atenção pelas cores e lindezas produzidas por crianças e jovens. Enquanto Michael me apresentava o espaço, ele também compartilhava com muito orgulho a sua trajetória na comunicação.

“As reuniões de pautas eram meu momento preferido. Ficaram marcadas em minha memória porque nos sentíamos em um estúdio profissional, discutindo ideias e planejando projetos que faríamos com e para a comunidade. Foram nas reuniões de pautas que fui acendendo cada vez mais meu desejo por comunicar e produzir conteúdos”.

Quando Michael ainda estava fazendo formações na Zzine, ele iniciou como estagiário na Casa do Zezinho. Depois foi para assistente de criação, educador de design e agora coordenador de comunicação. Para ele, todas essas fases são impactos de projetos como a Zzine e a Casa do Zezinho. 

“Esses projetos não apenas me deram uma formação técnica, mas me proporcionaram uma compreensão mais profunda do impacto social e cultural da comunicação. Através das oficinas de design e jornalismo, pude vislumbrar horizontes que antes pareciam distantes, e isso moldou não apenas minha trajetória profissional, mas também minha visão de mundo”, comenta. 

É por isso que quando a gente fala que a hora de transformar o jornalismo é sempre o agora, não falamos só palavras de efeito.

São 30 anos de Casa do Zezinho e 15 anos de Énois. Da Zzine e da Casa do Zezinho, a Énois guarda a mesma energia única mencionada por Michael. Uma energia que acredita na comunicação e na educação como potenciais transformadoras das realidades de jovens e tantas outras pessoas  que passam por essas organizações. 

Levei duas edições impressas da revista Zzine e Michael sentou e ficou folheando com um sorrisão no rosto lembrando cada arte que criou, cada matéria produzida. Fica o desejo dele de que outras pessoas possam ter a mesma oportunidade que ele teve, de perspectiva e futuro. E que a Énois possa construir mais 30, 40, 60 anos de uma bonita trajetória. 

Gostou dessa história? Fica por aqui! A gente ainda tem muito o que contar sobre nossos 15 anos.

A gente sempre foi um bonde

A gente sempre foi um bonde

Oi! Aqui é Glória Maria, comunicadora institucional da Énois. 

Continuo com a missão de ocupar a newsletter Énois que tá junto! com histórias dos nossos 15 anos de existência. 

Pois bem.. eu e Helena Dias, coordenadora de Comunicação Institucional da Énois, no final de junho, fomos à casa de Amanda Rahra, co-fundadora e diretora de Mobilização, acompanhar o preparo do bolo de aniversário da organização, apesar da nossa festa estar prevista para o final do ano. Foi tipo o primeiro bolo da comemoração. 

Enquanto Amanda misturava os ingredientes e ajustava o forno, a gente conversava sobre o nascimento da organização e, principalmente, sobre o nome “Énois”. Para mim, é uma gíria que demonstra coletividade como “Tamo junto!”, por exemplo. 

Amanda Rahra lembrou que a ideia do nome surgiu na Casa do Zezinho, nosso primeiro espaço de atuação, onde ela e Nina Weingrill, também co-fundadora da Énois, davam formação para jovens do ensino médio e produziam a Revista Zzine, revista que por cerca de três anos foi a materialização da Énois. 
A escolha foi feita com a própria turma de jovens. Todos estavam de acordo que seria uma Escola de Jornalismo das quebradas. Mas, como nomear? A dúvida durou por um bom tempo. Vieram outros momentos, trabalhos e projetos. Captações e parcerias (muito bem contadas no nosso livro de 13 anos… Já leu?). 

Em meados de 2012, o entendimento de que a Énois precisava se tornar uma organização tomava corpo e a decisão coletiva foi fazer acontecer. Neste momento, a galera disse: "É nós, vamos fazer!". E assim o nome ficou. 

Pesquisando sobre a expressão, Amanda compartilhou com o grupo a definição de Noemi Jaffe que diz que "Nois é tudo", uma concordância do "é" com "nós". "Esse conceito sintetiza perfeitamente a ideia de grupo, de coletividade. Foi essencial para fortalecer o nosso coletivo, pois sempre fomos um bonde, um grupo unido. A escolha do nome 'Nois' refletia essa união", acrescenta Amanda. 

Nessa altura da história, na casa de Amanda, em 2024, direto de São Paulo, o bolo de cacau já estava no forno… E refletimos sobre como a receita que fez a Énois é parecida com a mistura de ingredientes que a gente acabava de ver acontecer. 

Enquanto Amanda batia o bolo, ela pontuava que estava fazendo sem saber fazer. Ficou uma delícia! E com a calda de cacau e morangos, então? 

A Énois nasceu assim, ninguém sabia direito como fazer uma Escola de Jornalismo. Cada pessoa envolvida tinha uma parte do conhecimento. Um sabia fazer clara em neve, outro tinha cacau do Pará e outro sugeriu ralar o chocolate em vez de derretê-lo. 

"Fomos construindo esse bolo juntos, experimentando e aprendendo na prática. Essa é a essência da Énois: um processo coletivo de construção, em que cada uma contribui com o que sabe e todos aprendem juntos", conta Amanda. 

A nossa caminhada desses 15 anos é como um bolo que nunca está totalmente pronto. Acreditamos e estamos sempre compromissadas em melhorar. "E se colocássemos um pouquinho de canela? E se tivéssemos adicionado pedaços de chocolate no meio? E as castanhas?". 

A nossa jornada é contínua, uma construção constante. Nois não é um bolo de pote, com fatias pré-definidas. É um bolo com muitas fatias, sempre em transformação.

Estamos aqui, crescemos nesses 15 anos. Erramos, acertamos e expandimos. O objetivo, que mais tem cara de processo, é entender como podemos impulsionar cada vez mais a nossa Rede Énois. 

Cada iniciativa que integra a nossa rede traz um ingrediente novo com o qual aprendemos. A receita do bolo e da Énois pode se renovar diversas vezes, mas a essência é inegociável: coletividade e partilha. 

Gostou dessa história? Fica por aqui! A gente ainda tem muito o que contar nesses 15 anos. 

O Pratinho Firmeza agora é Brasil

2024 é um ano de eleições municipais. E o que seria mais valioso debater senão a alimentação das nossas crianças e como ela acontece em diversas cidades brasileiras? A Énois Laboratório de Jornalismo junto às iniciativas Carta Amazônia (PA), Nonada Jornalismo (RS), Nós Mulheres da Periferia (SP), Teatrine TV (MS) e Tejucupapos (PE) acreditam que esta pauta é urgente.

E é pensando nisso que, na última terça-feira (23/07), lançaram o Pratinho Firmeza Brasil, um guia que traz estratégias educacionais de escolas públicas das cinco regiões do Brasil voltadas para o direito à alimentação saudável na infância. É a segunda edição do guia que tem foco no público infanto-juvenil e, desta vez, estamos comemorando a sua abrangência nacional. Confira: pratofirmeza.com.br

A primeira edição do Pratinho Firmeza foi feita nas periferias de São Paulo, trazendo a conexão entre as receitas de família, o lugar das crianças na cozinha e as possibilidades de comer bem e a preço justo com as crias nos rolês periféricos. Agora, colocamos o espaço da escola como centralidade do debate.

Para muitas crianças que vivem em situação de insegurança alimentar, em sua maioria nas periferias do nosso país, a refeição escolar pode ser a única do dia. É tamanha a responsabilidade que, no período de isolamento social na pandemia da Covid-19, muitas escolas públicas brasileiras chegaram a distribuir cestas básicas e outros tipos de alimentos para as famílias de estudantes, como garantia de alimentação enquanto as aulas estavam suspensas.

Cecília Amorim, coordenadora do Pratinho Firmeza Brasil, destaca a importância da alimentação como ferramenta de transformação social. “Sou uma pessoa que vem de escola pública, de uma família sem recursos financeiros. E então a alimentação das escolas pra mim era a principal refeição do dia. Repensar a merenda escolar, como faz o guia, é importante para combater a insegurança alimentar que existe ainda hoje”. O Pratinho Firmeza Brasil é viabilizado por meio de Lei de Incentivo à Cultura em âmbito federal e tem patrocínio do RD Saúde. A versão impressa do guia será lançada em breve pela Énois e as iniciativas parceiras.

A realização do guia também marca a comemoração de 15 anos da Énois, em 2024. A organização que atua fortalecendo o ecossistema do jornalismo local celebra esses expressivos anos de caminhada fazendo aquilo que representa a essência do seu trabalho: realizar em rede e impulsionar o jornalismo diverso quando o assunto é território, raça e gênero.

O que você encontra no guia

Prefeituras e vereanças serão eleitas em outubro em todas as cidades brasileiras e a educação infantil pública é responsabilidade das gestões municipais. Você sabe a quantas anda o debate da merenda escolar na sua cidade?

O que o Pratinho Firmeza Brasil mostra é que dá para fazer muita coisa bacana quando o assunto é escola pública e direito à alimentação saudável na infância, o que precisa é a garantia de estrutura, investimento e iniciativa do poder público.

Com uma linguagem lúdica que dialoga diretamente com as crianças e jovens, o livro é guiado pela personagem fictícia Ayó, uma menina negra, de 6 anos. Ela é uma criança com deficiência física e, por isso, está sempre acompanhada da sua cadeira de rodas enquanto conduz a narrativa Pratinho Firmeza Brasil.

Ayó se apresenta, começa explicando o que é uma horta e a sua relação com a terra desde pequeninha e também como ela se dá na horta da escola.

É desse ponto de partida que ela nos leva para as reportagens feitas pelas cinco iniciativas de jornalismo local parceiras da Énois no projeto, nas cidades de Belém (PA), Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Campo Grande (MS) e Camaragibe (PE).

As reportagens focam nas crianças e suas relações com a alimentação no âmbito escolar e são acompanhadas do quadro “O caminho da merenda”, que traz detalhes sobre o planejamento, a produção e o fornecimento da merenda em cada uma das cinco escolas.

Você confere também uma receita regional que faz sucesso com a criançada. É alimentação saudável, reivindicação de direitos e políticas públicas e diversidade regional da nossa cultura alimentar.

Ao final do guia, você encontra o jogo de tabuleiro “O que tem no pratinho?”, que tem o objetivo de fazer as crianças e suas famílias refletirem sobre o que é ou não um alimento saudável.

Massa, né? Clique aqui e baixe o guia!
Te convidamos a conhecer a sua diversidade jornalística e cultural.

O Prato Firmeza

O Prato Firmeza é o primeiro guia gastronômico a mapear restaurantes, bares, lanchonetes e carrinhos de comida das periferias brasileiras. Em suas três primeiras edições (2017, 2018 e 2019), trouxe estabelecimentos que estão fora do radar da gastronomia da cidade de São Paulo, a partir do olhar de jovens repórteres locais formados pela Escola de Jornalismo da Énois. Sempre com um olhar sensível, local e diverso.

Em 2020, a quarta edição do Prato Firmeza deu um passo muito significativo, aproximando os debates levantados pelo programa à luta antirracista. Com uma equipe 98% formada por pessoas negras, mapeou empreendimentos de pessoas negras, contando com produção jornalística dos coletivos Agência Mural, Alma Preta, Periferia em Movimento, Preto Império e Vozes das Periferias e parceria com a Feira Preta.

Em 2021, o projeto recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Economia Criativa, pelo Prato Firmeza Preto. E também organizou junto com data_labe e LabJaca o Prato Firmeza RJ (Rio de Janeiro).  Já em 2022, em parceria com PerifaCon e redação do Alma Preta, foi realizado o Prato Firmeza Geek, que apresentou cozinheiros inventivos do universo nerd, das periferias de São Paulo.

Em 2023, o guia ganha abrangência nacional com a edição “Prato Firmeza: um diálogo entre campo e cidade”, que evidenciou o caminho que o alimento faz até chegar em estabelecimentos de comida das periferias de 10 capitais do Brasil, abordando também a temática da agricultura familiar e produtores locais. No mesmo ano, a Énois também lançou o Pratinho Firmeza SP.

Eu tenho uma história de amor com a Énois

Oi! Aqui quem escreve é Glória Maria, comunicadora institucional da Énois.

Se você acompanha o trabalho da Énois com frequência, deve ter notado que colocamos a nossa campanha de 15 anos na rua, com um manifesto que resgata a história da organização no mesmo passo que alimenta as nossas perspectivas de futuro impulsionando o jornalismo diverso, feito em territórios populares Brasil afora e, quiçá um dia, na América Latina.

Falo sobre isso porque trago novidades na volta da nossa newsletter “Énois que tá junto!”. Esse espaço continuará sendo ocupado por histórias do jornalismo local com a Énois, mas toma uma nova roupagem… Após um mergulho da nossa equipe nesses 15 anos de caminhada, elegemos alguns marcos que precisamos compartilhar com vocês.

Eu diria que, a partir de hoje, contarei histórias de amor com a Énois. E escolhi começar com a minha.

Sou ex-aluna da Escola de Jornalismo da organização, mãe da Emanuele e moradora de Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo, localizada na Zona Sul da cidade. Me recordo como se fosse ontem… Em 2017, eu era uma jovem negra e de periferia, com 17 anos, que buscava oportunidades gratuitas na área de comunicação. Logo depois de finalizar a formação “Você Repórter da Periferia” do Desenrola e Não me Enrola, encontrei a Énois pelas redes sociais e mergulhei em mais um processo formativo que durou um ano. 

Um ano que mais parecia 10, de tanta transformação e aprendizado…

Neste período, acabei mergulhando também em reflexões e experiências que forjaram muito do que sou hoje. Fui parar no Rio de Janeiro, em meados de novembro do mesmo ano, com minha turma formada por 10 jovens das periferias de São Paulo, para produzir uma reportagem “Conexão Quebrada” em colaboração com o data_labe, em que pautamos o problema de acesso à internet nas periferias cariocas e paulistas.

Minha filha Emanuele, mais conhecida como Manu pelas amizades e a família, tinha 4 anos de idade e pode me acompanhar nessa empreitada. Enquanto eu vivia um intercâmbio de vivências com diversos jovens por meio do jornalismo, ela via o mar pela primeira vez. Amanda Rahra, co-fundadora e diretora de Mobilização da Énois, junto a Gilberto Vieira, co-fundador do data_labe, passaram o dia com ela na praia do Leme.

Manu fascinada pela imensidão azul e com os pés na areia. Eu de olhos, ouvidos e coração atentos à pauta, também parecia ver o mar pela primeira vez. Um outro mar que se chamava jornalismo feito por quem vive a realidade do nosso país.

Foi com essa sensação que me formei jornalista na Énois,  em 2017. O começo de uma trajetória que se conecta com a cultura e diversos outros projetos sociais. Dei umas andadas pela área de cinema, quando peguei experiência com produções audiovisuais. Fiz um freela para a Énois e me tornei residente da área Formação, em que atuei por dois anos, e depois fui para a comunicação. Daqui, escrevo como comunicadora institucional de uma organização em que me formei…

Hoje, toco projetos sociais em Paraisópolis, como o 7 Notas, um estúdio comunitário que realiza formações para músicos das periferias, e que agora toma outros rumos com parceiros como a Canguru Records, um selo da Universal Music, onde nos juntamos dando origem a Canguru Paraisópolis, assim, continuamos abrindo espaço para esses jovens, que muitas vezes não tem condições de pagar para produzir seu som, e distribuir com toda formalização em dia. A estruturação do 7 Notas, também veio de muitas experiências e acessos que tenho dentro da Énois, como uma estruturação de relatório de prestação de contas, meios de captação de recursos, escrita de projetos e outras mil e uma coisas. A Énois também é esse lugar que compartilha e troca conhecimentos,  apoiando iniciativas das periferias como o 7 Notas. 

Hoje, celebro a Énois como uma escola da vida.
Minha história de amor e transformação regada ao compromisso com a diversidade. Em 15 anos, a Énois conseguiu se conectar com muitas pessoas assim como eu. Aqui, tem gente de Paraisópolis, gente da Zona Leste de São Paulo… Gente de todas as regiões do país que vêem no jornalismo um lugar para combater desigualdades e fortalecer seus territórios.

Esse relato é um pouquinho da minha história de amor com a Énois. Me conta… Como chegou aí para você? Por cá, ainda vamos contar bastante coisa nas próximas edições dessa news.

Nas redes sociais, levantamos a tag #EueaÉnois para quem também quiser contar com a gente a sua história de amor com a organização. Bacana, né? Vem com a  gente!

Énois: 15 anos de jornalismo, diversidade e territórios

Cuidar do jornalismo local é fortalecer pessoas e organizações que atuam em territórios populares, é transformar o cotidiano e a vida das pessoas. A Énois aprendeu essa premissa na prática, ao longo desses 15 anos. Começando nas periferias de São Paulo e conhecendo outras realidades Brasil afora.
Somos uma rede com cerca de 1,7 mil comunicadoras e comunicadores  atuantes em seus territórios. Somos majoritariamente mulheres, pessoas negras e localizadas em regiões periféricas por todos os estados  do Brasil. Esta é a nossa rede, e falamos que “somos”, porque sem ela o nosso existir não teria sentido algum. Nascemos como Énois e seguimos assim ao longo desse anos: expandindo em coletividade. 
Apoiamos gente que pauta e narra o que vive a partir de periferias, favelas, quilombos, territórios indígenas, ribeirinhos e tradicionais, sertões, agrestes, e diversas outras comunidades brasileiras. Estimulamos que esses e essas comunicadores e comunicadoras denunciem desigualdades em seu dia a dia e, ao mesmo tempo, tragam soluções e futuros possíveis tecidos a partir de tecnologias locais. Esse é o ecossistema jornalístico que valorizamos e cultivamos.

Nossa trajetória

Desde o início da Escola de Jornalismo (2009), na Casa do Zezinho, em São Paulo, até os dias de hoje, como laboratório de abrangência nacional, a Énois dedica tempo, recursos e cuidado para pessoas e organizações desse ecossistema, que tem a sua existência desafiada pela escassez de investimentos, estrutura e formação para fazer florescer sua atuação. São jornalistas e organizações que estão fora do radar de grandes investidores, mas que são fundamentais para estimular a cultura da informação. 
Temos como ponto de partida a diversidade de gênero, raça e território e, como horizonte, o fortalecimento da democracia. A partir de uma equipe diversa, se produz um jornalismo também diverso, representativo e local que incide na melhoria de vida das pessoas. 
O fio condutor dessa jornada é a transformação por meio da educação, da partilha de conhecimentos nas mais diversas camadas do jornalismo. Com sistematizações e metodologias de cuidado, gestão, captação, financeiro, produção jornalística, debatemos visões, formatos, fontes, distribuição e tecnologias se pautando sempre pela inovação que só a diversidade pode trazer.

Conquistas coletivas

Hoje, trilhamos um caminho de vivências, experimentação, pesquisas, estudos e análises da realidade do jornalismo brasileiro no contexto social do país, fazendo isso junto com quem faz o jornalismo nos territórios. Incorporamos em nosso fazer cotidiano o compromisso com a justiça social e climática considerando o jornalismo como uma mola propulsora dessa revolução.
Fazemos a muitas mãos: equipe, rede, parcerias, financiadores e doadores. Celebramos nestes 15 anos nossa nacionalização e a distribuição de mais de 40% do nosso orçamento para iniciativas de comunicação de todo o país, em 2023. Seguiremos cultivando o sonho de se tornar uma rede latino-americana de jornalismo periférico e te convidamos a vir conosco.
A hora de transformar o jornalismo é sempre o agora.

Como a Énois transforma o jornalismo?

A gente investe conhecimento, grana e afeto no ecossistema do jornalismo local. O que chega na Énois mantém a nossa estrutura e é distribuído para nossa rede em formato de cursos, treinamentos, mentorias, sistematizações e metodologias, pesquisas e mapeamentos, apoio financeiro e produções colaborativas - como nosso famoso guia gastronômicos das periferias, o Prato Firmeza, ganhador do Prêmio Jabuti, em 2021.
Semeamos para acompanhar nascimento, crescimento e novos caminhos de iniciativas de jornalismo, comunicação e cultura em diversos territórios brasileiros. Somos um laboratório, e a partilha de experiências está presente em todas as nossas instâncias, isso quer dizer que a nossa vivência como organização social também vira metodologia e ferramenta de apoio. Existimos para partilhar conhecimento em rede.

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A segurança de quem faz comunicação começa pelo cuidado

Se você acompanha a Diversa há algum tempo, já deve saber que aqui na Énois criamos e foralecemos um espaço chamado Café de Afetos, que é um momento em que tiramos para nos apoiar, nos ouvir, compartilhar nossas angústias e celebrar. Estamos, neste ano em que completamos 15 anos de estrada, lendo e compartilhando os ensinamentos de bell hooks em "Irmãs do Inhame". Neste livro, a autora compartilha estratégias de autorrecuperação para mulheres negras.
Aliás, foi com uma citação à bell que Agnes Karoline, assessora do Programa de Proteção e Participação Democrática da ARTIGO 19, abriu nossa última RedaçãoAberta: "a  tarefa de fazer do lar uma comunidade de resistência tem sido compartilhada por mulheres negras globalmente, especialmente mulheres negras em sociedades de supremacia branca", trouxe ela.
E o que isso tem a ver com proteção e segurança de jornalistas e pessoas comunicadoras periféricas?, você talvez pergunte.

Tudo.

Não só as mulheres negras estão à frente de organizações e iniciativas de mídia periféricas, como são elas as maiores responsáveis pelo trabalho de cuidado na nossa sociedade. É o compromisso com o cuidado que garante a sobrevivência, ou a resistência, como falou bell hooks, dessas mulheres, suas pessoas e seus sonhos.

É esse compromisso também que garante a eficiência nas ações de proteção a jornalistascomunicadoras e comunicadores periféricos Brasil afora."A cultura de cuidado precisa ser muito fortemente implementada pra gente conseguir consolidar a proteção", nos lembrou Agnes Karoline na última Redação Aberta.
"Quando as vozes de mulheres negras, periférias, cis e trans, comunicadoras comunitárias, LGBTQIA+, desafiam o interesse de muitos indivíduos e grupos que se beneficiam muito com a desinformação, quando essas vozes vão a público e conseguem impacto social, a gente percebe que comunicadoras e jornalistas, que também atuam como artistas e ativistas, começam a ser coagidas por esses grupos. Muitas vezes estão sozinhas nesse trabalho e se sentem isoladas", explicou Agnes.
O Café de Afetos nasceu por causa do isolamento concreto. Durante a pandemia de Covid-19, para nossa proteção e saúde, sentimos que precisávamos trazer a dimensão humana e vulnerável para dentro da organização também. Hoje ele é, ao mesmo tempo, um grupo de apoio, de leitura, um espaço de escuta e desenvolvimento para as necessidades da equipe e um espaço ritualístico.
Assim também funciona a Redação Aberta, só que voltado para a nossa rede. Em tempos em que o mundo do trabalho passa por diversas transformações, é preciso reunir e aquilombar o jornalismo local.
Afinal, as tecnologias de cuidado coletivo são, como Agnes nos lembrou e não podemos esquecer, ancestrais. Banho de ervas, banho de igarapé, os ebós, as danças coletivas, em roda, o aquilombamento, os aldeamentos, e todas as atividades que nos dão senso de comunidade, pertencimento e escuta. Aqui na Énois temos sistematizado e compartilhado algumas tecnologias sociais, como a da criação de espaços de escuta e cuidado nas redações e a da identificação de estresse e desequilíbrio emocional entre jornalistas. 

Em uma dimensão mais tática, as estratégias de proteção a pessoas comunicadoras devem considerar, assim como a formação da equipe, as elaborações das pautas e o diálogo com a audiência, as desigualdades estruturais que nos afetam. A interseccionalidade, portanto, deve ser premissa para pensar a segurança de jornalistas e pessoas comunicadoras no Brasil.
De um ponto de vista político, como ressaltou Agnes, é necessário fortalecer o estado democrático de direito, criar proteção para grupos de comunicação popular e independente e acompanhar o modelo de negócios que tem concentrado a economia e o poder do mercado nas grandes empresas de tecnologia, de comunicação e das plataformas digitais. Isso tudo diz respeito à proteção e segurança de quem faz comunicação desde as periferias das cidades e do Brasil.
A rede de apoio é fundamental para essa proteção também. Uma ameaça não tem o mesmo peso se direcionada para alguém que não está em isolamento. Sabemos, porém, que quando as ameaças partem daqueles que têm poder, inclusive dentro das estruturas do Estado, as estratégias precisam ser mais sofisticadas. 

Principalmente num Brasil pós-assassinato de Marielle Franco.
A resposta sobre quem mandou matá-la nos revelou, ao mesmo tempo, a capacidade da sociedade civil articulada de cobrar pela manutenção e garantia dos direitos humanos e a capacidade dos algozes no poder de usar o Estado democrático para fazer valer sua vontade. 
E aqui, sugiro que você tome um tempo para ouvir a segunda parte do episódio “Histórias sem fim” do podcast Rádio Novelo Apresenta, com Fernanda Chaves, assessora de imprensa e sobrevivente ao atentado que matou Marielle e Anderson. Em um ponto da entrevista, ela menciona a rede de apoio e o cuidado que recebeu logo na manhã seguinte ao atentado. Um desses cuidados a marcou. Ela ouviu de Dilma Rousseff, ex-presidente do Brasil e sobrevivente da violência de agentes do Estado: “você tá tendo tremedeira, né, minha filha? Deixa, não segura, não. Eu sei como é que é. Muito ruim, vem de dentro do couro cabeludo”.
Em outro ponto, ela revela o cuidado e o exercício de autocontrole descomunal que precisou ter para proteger a imagem da Marielle logo após o crime – estratégia de segurança que precisou ser reforçada ainda meses após o ocorrido, quando informações falsas sobre Marielle Franco começaram a circular.
Ela menciona também o choque de descobrir que, enquanto ela saía do país e cortava comunicações com amigos e familiares para se proteger, os mandantes do crime sempre souberam de seu paradeiro. Isso porque um deles era o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, antes tido como pessoa de confiança dela, de familiares e amigos.
Você e sua organização podem se informar sobre estratégias de proteção para defensoras e defensores de direitos humanos neste guia produzido pela Justiça Global em parceria com a ARTIGO 19. 
Neste outro guia, produzido pela Agência Mural e ARTIGO 19, saiba o que implementar nos aparelhos de telefone e computadores para segurança digital, como construir senhas seguras, como assegurar aplicativos, conheça formas de navegação segura e segurança nas redes sociais. 
Para quem enfrenta censura de gênero, vale conferir este guia da ARTIGO 19, que sistematiza algumas práticas da organização, inclusive a tecnologia de mapeamento de atores, que demonstra a importância de saber quem são as pessoas e organizações que são aliadas, mesmo que trabalhemos sozinhas.
A forma mais comum de censura no Brasil, aliás, é a censura judicial. Confira abaixo algumas orientações que Mônica Galvão, advogada especialista em casos de liberdade de expressão e co-fundadora do Instituto Tornavoz, compartilhou na última Redação Aberta para evitar questionamentos e censura judicial. 
Para saber mais e acessar outras orientações pertinentes à segurança e proteção de comunicadoras e comunicadores periféricos, assista ao conteúdo no nosso YouTube. 

Dica 1: Cuidado ao utilizar expressões técnicas: A expressão denúncia no Direito, por exemplo, tem um sentido específico. Outro exemplo é quando vamos falar que o funcionário público foi exonerado ou saiu a pedido. Esses tipos de jargão costumam dar muito pano pra manga em ações judiciais. Verifiquem as informações técnicas que vão usar em matérias jornalísticas e usem a expressão apropriada.

Dica 2: Dê o mesmo destaque ao “outro lado”: é uma preocupação que pode salvar um questionamento judicial. Você deve ouvir o “outro lado” e fazer constar no texto com o mesmo destaque da apuração crítica. A orientação é fugir do “outro lado” burocrático, pois o equilíbrio é muito considerado pelos juízes.

Dica 3: Atenção ao reproduzir entrevistas: esse é um item novo de preocupação na vida das pessoas jornalistas. Alguns meses atrás, quando a pessoa jornalista reproduzia uma entrevista, a preocupação era somente de ter o registro da gravação, para verificação. Isso mudou após uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal e, agora, a pessoa jornalista  deve analisar o teor da fala de quem entrevistou antes de sua reprodução. A declaração é razoável? Existem elementos que coloquem a declaração em dúvida? É uma informação sabidamente falsa? Se for, a pessoa jornalista pode ser responsabilizada.

Dica 4:Pense bem em como vai compartilhar nas redes sociais: sabe por que o New York Times falou a seus jornalistas para reduzirem o uso do X? A dinâmica das redes sociais exige uma rapidez quase incompatível com o cuidado que o texto jornalístico exige. Uma matéria bem feita, redonda, sem nada pra questionar, pode ser alvo de um questionamento judicial por causa da maneira como ela é apresentada em uma rede social.
Até a próxima! Se precisar, estamos por aqui.