Com o Arte é Informação, Énois seleciona 10 artistas para processo imersivo sobre alimentação e clima nas periferias de São Paulo

A Énois anuncia as 10 pessoas selecionadas para a edição 2026 do Arte é Informação, processo imersivo que acontece entre março e maio e promove o encontro, a troca e a criação colaborativa entre artistas de diferentes regiões da cidade de São Paulo.

A chamada pública recebeu 30 inscrições de pessoas artistas, articuladoras culturais e comunicadoras interessadas em investigar, por meio da arte, as relações entre alimentação, clima e território. Foram escolhidas propostas com linguagens diversas, que abordam os temas da soberania alimentar e da justiça climática de forma complementar. 50% das pessoas selecionadas são trans.

O Arte é Informação é um programa formativo e criativo que parte da premissa de que a informação pode, e deve, atravessar outros campos para além do jornalismo. Seu objetivo é fortalecer pessoas artistas e comunicadoras periféricas como produtoras de conhecimento, articulando arte, comunicação e território para refletir sobre temas estruturais como justiça climática e soberania alimentar.

Durante três meses, as pessoas selecionadas participam de encontros formativos online e presenciais, desenvolvem seus trabalhos autorais de forma coletiva e constroem uma programação pública que será realizada nos dias 23 e 24 de maio de 2026, simultaneamente à Virada Cultural de São Paulo.

A curadoria e formação do Arte é Informação 2026 é conduzida por Cal. Natural de Pernambuco, com uma trajetória de quase 20 anos, constrói ao longo dos últimos 10 anos, proposições que aproximam vizinhanças para uma ação mais curiosa, consciente e criativa do cotidiano. Faz isso por meio da plataforma “criando costumes”, onde reúne suas experimentações artísticas, e da criação do espaço CÀÈ – Casa Ateliê Escola, que aconteceu ao longo desses anos em São Paulo e que desde 2025, está sediado em Olinda, Pernambuco.  Assistiu, coordenou, dirigiu e co-criou obras, oficinas e programas educativos, em diversas instituições, entre elas o MAM (Rio de Janeiro), MAMAM (São Paulo), Sesc (São Paulo), MoMA PS1 (Nova Iorque) e Sharjah Biennial (Emirados Árabes). Tem premiações por suas obras e direções artísticas, sendo uma delas o Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea, recebido em 2013. Possui obras em coleções públicas e atualmente vive em Nova Iorque.

O processo inclui ainda a produção de uma publicação coordenada pela Énois sobre como artistas mobilizam informação e ampliam as fronteiras da comunicação popular.

Um percurso iniciado em 2025

O Arte é Informação foi realizado pela primeira vez em 2025 como um ciclo formativo nos bairros da Brasilândia, Grajaú, Paraisópolis e São Mateus.

Na primeira edição, artistas e comunicadores refletiram sobre crise climática, racismo ambiental, direitos básicos e produção de informação nas periferias. As formações abordaram tanto aspectos técnicos, como portfólio e posicionamento profissional, quanto dimensões políticas da arte enquanto estratégia de comunicação comunitária.

A edição de 2026 dá seguimento na articulação com os bairros da edição anterior, aprofundando as reflexões e avançando para um processo prático, com o desenvolvimento de trabalhos autorais destinados às comunidades locais por meio de uma programação pública.

O Arte é Informação em São Paulo acontece por meio da parceria com organizações que já atuam de forma estruturante em suas comunidades.

Na Brasilândia, a parceria é com O PiPa, iniciativa que atua nas áreas do brincar, arte, cultura e educação não formal. No Grajaú, com o Travas da Sul, organização que promove ações de apoio à população LGBTrans, especialmente em áreas periféricas, desenvolvendo redes de acolhimento e mobilização social.

Em Paraisópolis, temos uma dupla parceria, com o Estúdio 7 Notas, espaço que produz artistas e MCs do território, realiza vídeos, reportagens e ações que conectam cultura e jornalismo; e com a Favelarte Galeria Suburbana, primeira galeria de arte de Paraisópolis, espaço de encontro, formação e circulação de produções culturais do território.

Em São Mateus, com o São Mateus em Movimento, projeto que tem como objetivo transformar a realidade local por meio de iniciativas culturais, educacionais, ecológicas e sociais.

Conheça as pessoas selecionadas para o Arte é Informação 2026

Acân Santos Simões

Produtor cultural e profissional do audiovisual atuante na zona sul de São Paulo, com experiência em edição de áudio e produção de projetos culturais. Sua proposta articula audiovisual e território para refletir sobre alimentação e clima.

Adler da Silva Martins (Coala)

Multiartista da Zona Leste (São Mateus), músico, poeta e produtor cultural com forte atuação territorial. Sua proposta utiliza poesia falada e performance para abordar justiça climática e alimentação.

Bru Matias Martins Silva (Bruxa Livre)

Produtore cultural, artista visual e arte-educadore que conecta arte, natureza e cuidado comunitário. Sua proposta articula arte urbana e educação para fortalecer autonomia e consciência ambiental.

Helena Pandora Cruz de Souza

Artista e produtora cultural com trajetória nas artes visuais e gestão cultural, integrante da Travas da Sul. Sua proposta envolve criação coletiva e conscientização climática no território.

Hermeson de Morais (Ticano)

Articulador cultural e comunicador de Paraisópolis, criador do Favela Podcast e idealizador da Favelarte Galeria Suburbana. Sua proposta articula exposição e participação comunitária para discutir clima e direito à cidade.

Iranir Cardoso Diniz (Yra)

Cantora, compositora e bacharel em Direito, atuante na intersecção entre cultura e justiça social. Sua proposta utiliza instalação artística e participação pública para refletir sobre o direito à alimentação.

Ludimile Aparecida da Silva

Fotógrafa e articuladora territorial dedicada à memória periférica. Sua proposta realiza mapeamento visual de iniciativas de segurança alimentar.

Nathália Ract da Silva

Artista e jornalista com atuação em projetos comunitários ligados à alimentação e juventude. Sua proposta destaca trabalhadoras da alimentação e a comida como força comunitária.

Pedro Salvador

Fotógrafo e realizador audiovisual do Grajaú, com pesquisa voltada ao cotidiano periférico. Sua proposta investiga como as periferias sustentam a vida em tempos de crise climática.

Pyxuá R. de Castro

Artista e articuladore que conecta arte, memória e justiça social em redes periféricas. Sua proposta articula narrativa audiovisual e publicação independente sobre migração e clima.

Não foi selecionada(o)? Participe das formações abertas do Arte é Informação

Como parte do programa, o Arte é Informação oferecerá quatro formações online abertas ao público, voltadas à ampliação de técnicas e conhecimentos em produção cultural.

  • Produção cultural – 04/03 (quarta) – 19h30 às 22h
  • Escrita de projetos – 11/03 (quarta) – 19h30 às 22h
  • Orçamento de projetos – 18/03 (quarta) – 19h30 às 22h
  • O que é um espaço expositivo? – 25/03 (quarta) – 19h30 às 22h

Serão disponibilizadas 50 bolsas no valor total de R$ 100, destinadas a pessoas que participarem integralmente dos quatro encontros.

Para conhecer mais detalhes sobre os critérios de recebimento das bolsas e participar das formações, entre no grupo oficial no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/ByGT3lFO8YpL2c256M6Uwr

2026 chegou. Copa, eleições com IA… e você já está sentindo os desafios deste ano?

Não é novidade que este é um ano que já começou desafiador para a comunicação e para comunicadores das periferias do Brasil. Todos os dias, esses profissionais constroem, tijolo por tijolo, uma comunicação que forma opinião pública em seus territórios e sustenta a democracia no cotidiano.

Apesar de ser uma palavra muito presente no discurso, a democracia ainda carrega fragilidades profundas. A ausência de informações que impactam diretamente a vida nos territórios — em um país onde 30 milhões de pessoas vivem em desertos de notícias — cria um cenário fértil para a desinformação. As consequências são graves e recaem, sobretudo, sobre quem sustenta este país: o povo.

Em 2026, esse contexto se intensifica. O ano é marcado por eleições gerais e por um ambiente informacional cada vez mais complexo. Segundo o DataSenado, sete em cada dez brasileiros já tiveram contato com alguma notícia falsa. Com o avanço da Inteligência Artificial, o volume de vídeos e imagens manipuladas cresce assustadoramente, tornando ainda mais difícil distinguir o que é real. Informar as comunidades, nesse cenário, se torna um dos maiores desafios da comunicação da ponta.

Por aqui, na Énois, temos apostado em novas formas de combater a desinformação e ampliar o acesso à informação. Uma dessas estratégias é o projeto Arte é Informação, que reconhece a arte como linguagem potente de comunicação popular. Apenas no ano passado, a iniciativa formou e interagiu com mais de 100 artistas, comunicadores, lideranças e produtores culturais de cinco periferias da cidade de São Paulo (SP).

12 de julho de 2025 – Turma de pessoas trans do Arte é Informação, no Grajaú (SP)

O objetivo é informar a partir das linguagens que as populações já produzem. Seja por meio de um som, de um grafite ou de uma fotografia, a arte se torna ferramenta de mobilização, diálogo e fortalecimento da democracia.

Em 2026, ano eleitoral, essa estratégia ganha ainda mais centralidade ao manter no foco do debate público temas estruturantes como sistemas alimentares, justiça climática e justiça social. Essa abordagem também se conecta ao Prato Firmeza, ampliando o olhar para outros biomas, como o resultado do Prato Firmeza Amazônia, e traçando outras possibilidades de articulação e mobilização coletiva.

25 de outubro de 2025 – Lançamento do Prato Firmeza Amazônia, que uniu arte, alimentação e clima, em Manaus (MA)

A Énois tem se consolidado como uma fomentadora e articuladora de redes de comunicação periférica em todo o Brasil. Nosso compromisso é fortalecer iniciativas que prestam serviços essenciais às suas comunidades, garantindo que a comunicação tenha condições mínimas de atuação, com estrutura, recursos e equipes capazes de prestar informações de interesse público com continuidade e responsabilidade.

Equipe de colaboradores fixos da Énois

Em 2025, esse compromisso se traduziu em resultados concretos: foram 90 pessoas contratadas em todo o Brasil; mais de 70% das pessoas contratadas são pretas, pardas ou indígenas, e mais de 55% são mulheres. São essas profissionais que tornam possível o exercício coletivo da cidadania e seguem construindo democracia a partir dos territórios. Em um cenário de tantos desafios, é fundamental seguir abrindo trilhas para garantir condições dignas de trabalho para comunicadores e artistas periféricos, assegurando sustentabilidade, cuidado e longevidade para quem informa o país.

O Relatório Institucional da Énois 2025, que estará disponível ainda esta semana no site da Énois, reúne as ações, aprendizados e caminhos trilhados ao longo do último ano, além de nos provocar a seguir fortalecendo perspectivas para 2026. Em um ano decisivo para o Brasil, reafirmamos nossa missão: fortalecer a comunicação comunitária brasileira, apoiar quem informa a partir dos territórios e apostar na comunicação como prática fundamental para a garantia de direitos.