Com o Arte é Informação, Énois seleciona 10 artistas para processo imersivo sobre alimentação e clima nas periferias de São Paulo

A Énois anuncia as 10 pessoas selecionadas para a edição 2026 do Arte é Informação, processo imersivo que acontece entre março e maio e promove o encontro, a troca e a criação colaborativa entre artistas de diferentes regiões da cidade de São Paulo.

A chamada pública recebeu 30 inscrições de pessoas artistas, articuladoras culturais e comunicadoras interessadas em investigar, por meio da arte, as relações entre alimentação, clima e território. Foram escolhidas propostas com linguagens diversas, que abordam os temas da soberania alimentar e da justiça climática de forma complementar. 50% das pessoas selecionadas são trans.

O Arte é Informação é um programa formativo e criativo que parte da premissa de que a informação pode, e deve, atravessar outros campos para além do jornalismo. Seu objetivo é fortalecer pessoas artistas e comunicadoras periféricas como produtoras de conhecimento, articulando arte, comunicação e território para refletir sobre temas estruturais como justiça climática e soberania alimentar.

Durante três meses, as pessoas selecionadas participam de encontros formativos online e presenciais, desenvolvem seus trabalhos autorais de forma coletiva e constroem uma programação pública que será realizada nos dias 23 e 24 de maio de 2026, simultaneamente à Virada Cultural de São Paulo.

A curadoria e formação do Arte é Informação 2026 é conduzida por Cal. Natural de Pernambuco, com uma trajetória de quase 20 anos, constrói ao longo dos últimos 10 anos, proposições que aproximam vizinhanças para uma ação mais curiosa, consciente e criativa do cotidiano. Faz isso por meio da plataforma “criando costumes”, onde reúne suas experimentações artísticas, e da criação do espaço CÀÈ – Casa Ateliê Escola, que aconteceu ao longo desses anos em São Paulo e que desde 2025, está sediado em Olinda, Pernambuco.  Assistiu, coordenou, dirigiu e co-criou obras, oficinas e programas educativos, em diversas instituições, entre elas o MAM (Rio de Janeiro), MAMAM (São Paulo), Sesc (São Paulo), MoMA PS1 (Nova Iorque) e Sharjah Biennial (Emirados Árabes). Tem premiações por suas obras e direções artísticas, sendo uma delas o Prêmio Itamaraty de Arte Contemporânea, recebido em 2013. Possui obras em coleções públicas e atualmente vive em Nova Iorque.

O processo inclui ainda a produção de uma publicação coordenada pela Énois sobre como artistas mobilizam informação e ampliam as fronteiras da comunicação popular.

Um percurso iniciado em 2025

O Arte é Informação foi realizado pela primeira vez em 2025 como um ciclo formativo nos bairros da Brasilândia, Grajaú, Paraisópolis e São Mateus.

Na primeira edição, artistas e comunicadores refletiram sobre crise climática, racismo ambiental, direitos básicos e produção de informação nas periferias. As formações abordaram tanto aspectos técnicos, como portfólio e posicionamento profissional, quanto dimensões políticas da arte enquanto estratégia de comunicação comunitária.

A edição de 2026 dá seguimento na articulação com os bairros da edição anterior, aprofundando as reflexões e avançando para um processo prático, com o desenvolvimento de trabalhos autorais destinados às comunidades locais por meio de uma programação pública.

O Arte é Informação em São Paulo acontece por meio da parceria com organizações que já atuam de forma estruturante em suas comunidades.

Na Brasilândia, a parceria é com O PiPa, iniciativa que atua nas áreas do brincar, arte, cultura e educação não formal. No Grajaú, com o Travas da Sul, organização que promove ações de apoio à população LGBTrans, especialmente em áreas periféricas, desenvolvendo redes de acolhimento e mobilização social.

Em Paraisópolis, temos uma dupla parceria, com o Estúdio 7 Notas, espaço que produz artistas e MCs do território, realiza vídeos, reportagens e ações que conectam cultura e jornalismo; e com a Favelarte Galeria Suburbana, primeira galeria de arte de Paraisópolis, espaço de encontro, formação e circulação de produções culturais do território.

Em São Mateus, com o São Mateus em Movimento, projeto que tem como objetivo transformar a realidade local por meio de iniciativas culturais, educacionais, ecológicas e sociais.

Conheça as pessoas selecionadas para o Arte é Informação 2026

Acân Santos Simões

Produtor cultural e profissional do audiovisual atuante na zona sul de São Paulo, com experiência em edição de áudio e produção de projetos culturais. Sua proposta articula audiovisual e território para refletir sobre alimentação e clima.

Adler da Silva Martins (Coala)

Multiartista da Zona Leste (São Mateus), músico, poeta e produtor cultural com forte atuação territorial. Sua proposta utiliza poesia falada e performance para abordar justiça climática e alimentação.

Bru Matias Martins Silva (Bruxa Livre)

Produtore cultural, artista visual e arte-educadore que conecta arte, natureza e cuidado comunitário. Sua proposta articula arte urbana e educação para fortalecer autonomia e consciência ambiental.

Helena Pandora Cruz de Souza

Artista e produtora cultural com trajetória nas artes visuais e gestão cultural, integrante da Travas da Sul. Sua proposta envolve criação coletiva e conscientização climática no território.

Hermeson de Morais (Ticano)

Articulador cultural e comunicador de Paraisópolis, criador do Favela Podcast e idealizador da Favelarte Galeria Suburbana. Sua proposta articula exposição e participação comunitária para discutir clima e direito à cidade.

Iranir Cardoso Diniz (Yra)

Cantora, compositora e bacharel em Direito, atuante na intersecção entre cultura e justiça social. Sua proposta utiliza instalação artística e participação pública para refletir sobre o direito à alimentação.

Ludimile Aparecida da Silva

Fotógrafa e articuladora territorial dedicada à memória periférica. Sua proposta realiza mapeamento visual de iniciativas de segurança alimentar.

Nathália Ract da Silva

Artista e jornalista com atuação em projetos comunitários ligados à alimentação e juventude. Sua proposta destaca trabalhadoras da alimentação e a comida como força comunitária.

Pedro Salvador

Fotógrafo e realizador audiovisual do Grajaú, com pesquisa voltada ao cotidiano periférico. Sua proposta investiga como as periferias sustentam a vida em tempos de crise climática.

Pyxuá R. de Castro

Artista e articuladore que conecta arte, memória e justiça social em redes periféricas. Sua proposta articula narrativa audiovisual e publicação independente sobre migração e clima.

Não foi selecionada(o)? Participe das formações abertas do Arte é Informação

Como parte do programa, o Arte é Informação oferecerá quatro formações online abertas ao público, voltadas à ampliação de técnicas e conhecimentos em produção cultural.

  • Produção cultural – 04/03 (quarta) – 19h30 às 22h
  • Escrita de projetos – 11/03 (quarta) – 19h30 às 22h
  • Orçamento de projetos – 18/03 (quarta) – 19h30 às 22h
  • O que é um espaço expositivo? – 25/03 (quarta) – 19h30 às 22h

Serão disponibilizadas 50 bolsas no valor total de R$ 100, destinadas a pessoas que participarem integralmente dos quatro encontros.

Para conhecer mais detalhes sobre os critérios de recebimento das bolsas e participar das formações, entre no grupo oficial no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/ByGT3lFO8YpL2c256M6Uwr

Énois marca presença na Blue Zone da COP30, em Belém (PA)

A Énois marcou presença na Blue Zone da COP30, em Belém (PA), levando para o centro das negociações globais um debate que nasce dos territórios. No painel Food, Climate and Territory: Building Resilient Food Systems for Climate Adaptation, realizado no Regional Climate Foundations Pavilion, nossa gerente do Laboratório de Comunicação, Jessica Mota, apresentou a abordagem do Prato Firmeza Amazônia reforçando que a cultura alimentar é identidade, tecnologia e estratégia de adaptação climática.

O Prato Firmeza mostra que a adaptação climática já acontece nas cozinhas e saberes que sustentam a vida na Amazônia. Essa perspectiva se somou às contribuições da Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN), do Instituto Comida do Amanhã, do Pacto Contra a Fome Brasil e do Rabobank América do Sul, que moderou a conversa.

Durante o debate, foi potente observar como diferentes frentes dos sistemas alimentares, mesmo com trajetórias diversas, convergem em um ponto comum: fortalecer a sabedoria dos territórios e reconhecer que soluções de adaptação climática já existem e nascem das comunidades.

Jéssica também ressaltou como comunicação, educação e cultura são ferramentas capazes de gerar engajamento social profundo e ampliar políticas públicas que apoiem alimentos produzidos nos territórios, com justiça social, nutricional e climática.

Ao levar o Prato Firmeza Amazônia para a Blue Zone, reafirmamos nosso compromisso com uma comunicação que fortalece territórios e coloca as histórias da Amazônia no centro do debate sobre o futuro dos sistemas alimentares.

Que a COP30 seja a da comida  

O acesso à alimentação e o combate à fome se tornaram meta climática e ganharam centralidade nas discussões

Simone Cunha (*)

Enquanto parte das conversas e da cobertura sobre COP30 se ocupam dos preços da comida na cúpula e do preconceito em relação à alimentação tradicional do Pará, há uma construção mais urgente acontecendo em Belém: o acesso à alimentação e o combate à fome se tornaram meta climática e ganharam centralidade nas discussões. É por conta disso que essa COP pode ficar conhecida como COP da comida.

Já na organização da conferência, a organização estabeleceu metas práticas para implementar a mudança que se discute diplomaticamente: 30% da alimentação servida durante a conferência deve vir da agricultura familiar, de práticas agroecológicas ou da sociobiodiversidade. Dois dias da programação oficial serão dedicados à discussão sobre sistemas alimentares (19 e 20/11). E na pré-COP, a Cúpula do Clima, 44 países assinaram a “Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas”, que coloca o combate à fome como prioridade climática.

texto reconhece que agricultores familiares, povos indígenas, comunidades tradicionais e pequenos produtores rurais são, ao mesmo tempo, os mais vulneráveis à crise climática e os principais agentes de resiliência dos sistemas alimentares globais. Por isso, a declaração defende que o financiamento climático apoie meios de subsistência sustentáveis para essas populações, garantindo que a ação climática também gere empregos dignos, acesso a direitos e oportunidades econômicas para quem produz.

Já na abertura, o presidente Lula reforçou que a crise climática precisa ser combatida e compreendida pelo cotidiano, ao afirmar que “as pessoas podem não entender o que são emissões ou toneladas métricas de carbono, mas sentem a poluição”. Da mesma forma, podem não entender que é a evapotranspiração que abastece os rios e mantém a temperatura da terra, mas são impactadas quando não encontram certos alimentos na feira por falta seca.

A carta de Belém contra a fome reconhece que a crise climática já impacta o cotidiano e está aumentando a desigualdade, exacerbando a pobreza e fome, e isso precisa ser levado em conta na ação climática, ou irá piorar. O documento aponta que os pequenos produtores, de comunidades tradicionais estão entre os mais vulneráveis à crise climática e também são fundamentais como resposta, construindo sistemas alimentares sustentáveis, com desenvolvimento econômico e estabilidade social local – ainda mais se decentemente apoiados. Para isso, prevê investimento em soluções de prevenção a riscos climáticos, maior acesso a estruturas de financiamento e políticas públicas.

Em meio a essa virada na narrativa climática global, iniciativas locais que tratam a alimentação como ferramenta de transformação são fundamentais para estourar a bolha da COP e manter essa agenda de pé e na mesa das pessoas.

O recém-lançado Prato Firmeza Amazônia, produzido por comunicadores periféricos do Tapajós de FatoPuxirum do Bem Viver e Pavulagem, é um exemplo. O guia mapeia ingredientes, receitas e histórias que mostram como a cultura alimentar pode ser ao mesmo tempo resistência, regeneração ambiental e acesso a direitos com base nas comunidades.

Que a COP30 fique conhecida como COP da alimentação e traga para a mesa a justiça climática como prática e os pratos com comida tradicional e local como realidade. E que a segurança alimentar, além de pauta de urgência e de COP, se estabeleça como agenda de implementação – fome e crise climática andam juntas e as soluções também.

(*) Diretora de desenvolvimento institucional da Énois, organização que apoia o desenvolvimento de iniciativas nascentes de comunicação e cultura nas periferias do Brasil e criou o Prato Firmeza como plataforma que conecta informação e alimentação nas periferias brasileiras.

Texto originalmente no Sul 21

Compartilhando aprendizados na COP 30

No último dia 11, durante a COP30, a Énois esteve presente no Belém+10, encontro realizado em parceria com o Instituto Mapinguari e o Sustentarea.

Nossa gerente do Laboratório Énois, Jessica Mota, integrou a mesa de debate para compartilhar aprendizados do Prato Firmeza Amazônia. A conversa trouxe reflexões potentes sobre como alimentação e clima são agendas profundamente conectadas, e como a cultura alimentar dos povos tradicionais da Amazônia precisa ser reconhecida como solução climática. Reforçamos sobre o valor da tradição como futuro, e sobre a urgência de fortalecer esses saberes e práticas por meio de políticas públicas.

O debate também passou por temas como distribuição, comercialização, fortalecimento de feiras e pela importância de articular essas discussões às políticas nacionais já existentes, como a nova legislação que determina que, a partir de 1º de janeiro de 2026, 45% dos recursos da merenda escolar devem ser destinados à compra de alimentos da agricultura familiar local (Lei nº 15.226/2025).

Temos mecanismos importantes no Brasil, mas precisamos fazer com que eles saiam do papel. É fundamental pressionar o poder público para que sejam implementados de fato, e para que o Brasil assuma um papel de liderança nas discussões da COP sobre alimentação como política climática, um tema que ainda não recebe a centralidade necessária nas negociações internacionais.

Seguimos na construção coletiva para que comida, território e clima caminhem juntos nas decisões que moldam o nosso futuro.

Comida é resistência: guia mapeia sabores de Belém e debate clima, periferia e ancestralidade

“Sem justiça alimentar, não há justiça climática”

A crise climática afeta diretamente a produção de alimentos e o acesso à comida. Não é possível falar em justiça climática ignorando quem planta, pesca, colhe e cozinha. Garantir justiça alimentar significa questionar modos de produção devastadores e reconhecer e valorizar os saberes e modos de produção tradicionais, assegurando acesso digno e sustentável à alimentação, protegendo territórios que sustentam a vida. Sem isso, qualquer agenda climática será incompleta e injusta.

Muito prazer, sou o Prato Firmeza Amazônia – raízes da culinária tradicional brasileira,  um produto da Énois, um laboratório de comunicação que apoia coletivos nascentes das periferias para fortalecer o bem viver por meio da comunicação comunitária.

Te convido para um novo olhar sobre clima e alimentação no Pará, em Belém, na Amazônia. Trago esses temas e muito mais:

  • Culinária indígena como solução climática: alimentos e técnicas ancestrais são reconhecidos pela FAO como sistemas resilientes, que mantêm a floresta em pé e preservam a biodiversidade e isso está nítido nos conteúdos produzidos dentro dos territórios indígenas e nas áreas urbanas.
  • Impactos da crise climática em restaurantes periféricos: mostro uma outra perspectiva sobre empreendedores populares que relatam dificuldades com alta de preços, escassez de insumos e eventos extremos como cheias e secas, um reflexo claro da crise ambiental global.
  • A alimentação e a COP30: trago um horizonte decisivo na mitigação da crise climática, que vem sendo pouco debatido nos diálogos da COP30. Além de mostrar claramente como o alimento ancestral e típico da Amazônia é um aliado na luta contra a extinção do planeta, já que, estudos do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima mostram que 75% das emissões de gases no Brasil vêm de sistemas alimentares predatórios, enquanto a produção comunitária mostra que outro caminho sustentável é possível, porém ainda invisibilizado e excluído, como foi o caso recente da proibição da entrada do tucupi, maniçoba e açaí nos espaços da COP, em Belém.

Histórias de Belém/Pará que ganham destaque no guia:

  • Onde a comida é feita com muito carinho e sabor caseiro – No meio da Vila da Barca, em Belém, o Calmaria da Amélia é ponto certo para quem busca comida farta, caseira e cheia de amor. Um local onde o empreendedorismo se faz com o coração e enfrenta os reflexos da crise socioambiental no dia a dia.
  • Sabores da terra servidos no coração de um bosque – Rodeado de uma área verde em Belém, Delícias do Bosque resgata receitas ancestrais e serve pratos cheios de história e sabor.
  • A força de um empreendimento culinário nas periferias de Belém – Na capital paraense, o restaurante As Negonas mostra como o alimento pode ser também ferramenta de transformação social e afirmação de identidade e sobretudo de combate ao racismo, pois comer também é um ato político.
  • A história de uma vida temperada por raízes, memórias e resistência – Criada na roça, filha de quilombolas e apaixonada pela natureza, Ana Maria Batista transformou sua vivência no Marajó em tempero e tradição que hoje alimentam Belém com memória, afeto e sustentabilidade.
  • Resistência quilombola, desafios ambientais e a preservação da agricultura familiar – Na comunidade quilombola de Abacatal, a luta pela preservação do patrimônio, pela educação de qualidade e pelo acesso a direitos se conecta à resistência da agricultura familiar, que ainda enfrenta desafios impostos pela crise climática e pela pandemia.
  • Alimentar é preservar– Na aldeia Aminã, no coração do rio Arapiuns, no município de Santarém, a comida tradicional fortalece a saúde, a cultura e a resistência do povo diante das mudanças climáticas.

“E é nesse contexto que a Amazônia tem a chance de saltar do estereótipo do exótico, do folclórico, da ‘comida diferente’, para uma posição de protagonismo global. Afinal, enquanto o mundo discute como alimentar populações de forma sustentável e regenerativa, a resposta já vem sendo praticada há séculos pelos povos indígenas e pelas comunidades tradicionais da Amazônia.”
Thiago Castanho, Chef, cozinheiro paraense e pesquisador da culinária amazônica.

Conheça mais sobre a minha história: 

Eu, o Prato Firmeza, nasci em 2016 quando a Énois ainda era uma escola de jornalismo dedicada à formação de jovens comunicadores e cresci junto com a organização, me tornando uma plataforma que conecta comunicação e alimentação nas favelas e periferias do Brasil, gerando renda e fortalecendo iniciativas de comunicação locais e a construção de territórios mais saudáveis.

“O Prato Firmeza nasceu valorizando a comida de quebrada, feita por produtores locais – o cachorro-quente, o hambúrguer e as comidas de rua. E, ao longo dos anos, foi se transformando. Hoje, ele ocupa um lugar que discute direito à alimentação, soberania alimentar, cultura alimentar e a urgência de pensar quais são os pratos que estão e vão adiar o fim do mundo. A Énois já distribuiu mais de 20 mil livros impressos e contabiliza milhares de downloads online, impactando direta e indiretamente cerca de 2 milhões de pessoas.”
Amanda Rahra, fundadora e diretora de operações da Énois

Eu também já gerei mais de 1 mil empregos por meio de eventos, distribuições e formações presenciais e online, além de ampliação dos restaurantes e fortalecimento dos empreendedores periféricos. Assim, tenho cumprido meu propósito e da Énois, que acredita que a informação pode fazer a diferença na vida de uma comunidade, fortalecendo organizações de comunicação nas periferias de todos os estados do Brasil, garantindo acesso a informações essenciais sobre educação, saúde, segurança e justiça. Valorizando os saberes locais e conectando comunidades para ampliar seu acesso a oportunidades e direitos.

Espero que você me leia nesta nova edição e que possamos juntos levar informação, conscientização e oportunidades para milhares de pessoas.

O Prato Firmeza Amazônia: raízes da culinária tradicional brasileira é um projeto realizado pela Énois e pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Patrocínio do Assaí e da RD Saúde. Apoio da WWF, Instituto Clima e Sociedade e Instituto Ibirapitanga. Tem acessibilidade de Amanda LeLibras, tradução indígena pela Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), e tem como parcerias de produção: Pavulagem, Puxirum do Bem Viver e Tapajós de Fato.

Prato Firmeza 5 e as camadas de potência de comunicação popular no Brasil

Por Camila Rodrigues da Silva

A despeito das infinitas crises, o jornalismo ainda é sonho e potência de muitos jovens espalhados por esse Brasil. Esse é o sentimento latente na produção do “Prato Firmeza 5: um diálogo entre campo e cidade”, a primeira edição nacional do Guia Gastronômico das Quebradas, lançado em novembro de 2023. 

“O Prato Firmeza foi uma porta sendo aberta para infinitas possibilidades. Nosso coletivo nasceu, de fato, enquanto construíamos esse guia tão importante e desafiador. Passamos a nos enxergar enquanto comunicadores populares ao lado de movimentos sociais, entender o caminho da comida que sai do pequeno produtor e chega ao nosso prato, e poder contar as histórias que atravessam essa estrada”, comemora o Tejucupapos, de Recife (PE).

As dez iniciativas que participaram deste longo projeto nasceram há, no máximo, cinco anos. Elas são formadas por uma maioria de mulheres, pessoas negras e muitas pessoas LGBTQIAP+. São coletivos, produtoras, startups em diferentes graus de maturidade, mas já produzem informação relevante e de qualidade dentro de seu segmento e de seu território.

“Nós vínhamos há três anos fazendo uma cobertura hiperlocal, focados em temas relacionados à nossa região, e o Prato Firmeza ofereceu a possibilidade de respirar novos ares”, avalia a equipe da Agência Lume, que atua na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ). O campo, os rios e mares foram fontes dos novos ares desses mais de dezenas de comunicadores que tiveram o esforço de entender o “caminho da comida” nas suas periferias.

“O principal impacto para nós foi a ampliação do debate sobre segurança alimentar e sobre como é o mercado para o pequeno produtor e para o consumidor final”, avaliou o Reocupa, de São Luís (MA). 

Na mesma linha, o Coletivo Aruandê, de Salvador (BA), afirma que conseguiu ver um lado do próprio estado que não conhecia. “E a gente passou a levar muito mais a sério essa relação do campo, da cidade, de quem planta, quem colhe, quem luta pra manter ali o seu próprio negócio”. Essa produção também foi uma experiência de afeto e memória para muitos comunicadores. 

“Escrever para o Prato Firmeza foi entrar em contato com a cultura do afeto que a comida nos traz desde a infância. Foi acessar conhecimentos ancestrais de sobrevivência, recheados de sabor, ainda por cima pautando democratizar um alimento saudável e de qualidade”, sintetizou o podcast Manda Notícias, que atua na zona sul de São Paulo (SP). 

Mas o guia também ajudou a mudar os olhares de quem empreende com comida nessas quebradas. Muitos donos dos estabelecimentos aumentaram sua autoestima com sua presença no Prato Firmeza.

“Um deles não queria que a gente fizesse fotos ou vídeos, dizendo que estava bagunçado. Mas quando entendeu a proposta, chegou a comentar: ‘se vai sair em um guia nacional, é porque entregamos um serviço de qualidade’”, relata o Cumbuca, que mapeou as iniciativas de Manaus (AM).

Essa valorização criou laços entre comunicadores e empreendedores dessas periferias, que são potentes inclusive na cobertura de outras pautas. 

“O Olhos Jornalismo aprendeu a olhar ainda mais atento para os empreendedores dos bairros em que seus membros atuam. Hoje, esses estabelecimentos estão em diálogo com os membros do Olhos e reconhecem a importância da mídia independente, que nunca haviam ouvido falar”, reconhece o coletivo de Maceió (AL). 

Apesar do nome “guia”, este foi um projeto multimídia e multidisciplinar, de criação de conteúdo original. Havia demandas de um produto impresso, um podcast e reels com recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual e auditiva. Além disso, os coletivos exercitaram sua dimensão educativa e levaram oficinas de ferramentas de comunicação para estudantes e professores de escolas públicas de seus territórios.

“O Prato Firmeza permitiu que pudéssemos nos enxergar como um coletivo potente e apto para desenvolver projetos tão grandes e desafiadores como esse”, afirmam os jornalistas da Com_Texto, que construiu o pedaço de Cuiabá (MT) do PF 5.

O projeto também estimulou um olhar interno para as iniciativas, sobre o que melhorar e o que valorizar de bom na sua dinâmica de produção. A Awalé, de Florianópolis (SC), acessou novas conexões para além do ecossistema de inovação em que estão inseridas. A Agência Lume aprendeu sobre gestão de tempo e de recursos.

“O PF 5 nos apresentou um mundo novo. Aprendemos individualmente e mudamos nossas certezas dentro da gestão da iniciativa, e nas nossas vidas pessoais. Passamos a cuidar mais da saúde e da alimentação”, compartilha a Lume.

É difícil mapear e mensurar todos impactos causados pelo Prato Firmeza 5. Mas certamente é um marco na expansão da atuação da Énois e na história desses 10 coletivos de comunicação.

Énois impulsiona arte e informação com apoio do Consulado da Alemanha

Na maior favela de São Paulo, Paraisópolis, o Estúdio 7 Notas é um coletivo que atua na fronteira entre informação e arte e foi lá que levamos a equipe do Consulado Geral da Alemanha para apontar caminhos a serem fortalecidos para o desenvolvimento local. O Estúdio produz artistas e MCs do território, vídeos, reportagens e ações que conectam cultura e jornalismo. É uma das organizações de fronteira com quem a Énois atuará no projeto Arte É Informação São Paulo, financiado pelo Consulado da Alemanha, e que vai impulsionar o uso de linguagens artísticas para disseminar informação e dos processos de apuração do jornalismo para a criação artística.

Esse tipo de articulação não é nova na trajetória da Énois. Nosso Laboratório e o Prato Firmeza contribuíram para fortalecer a comunicação comunitária, apoiar o empreendedorismo e formar redes informativas sustentáveis em territórios periféricos. Desde que nasceu, em 2009, a Énois integra comunicação e arte como ferramentas de transformação concreta. Em 16 anos de nossa atuação, mais de 20 mil jovens e coletivos locais de todo o país estiveram em rede integrando formações, produção de informação e de eventos, fortalecendo a informação e a economia criativa nos seus territórios.



Informalidade e subempregos são realidade entre os jovens brasileiros, especialmente nas periferias, e articular caminhos de trabalho, pertencimento e desenvolvimento local buscam criar caminhos diferentes do “CEO de MEI”. Segundo a PNAD de 2024, a taxa de desemprego entre jovens caiu nos últimos 5 anos (de 25,2% para 14,3%), só que quase metade está na informalidade e grande parte dos CLTs está em ocupações com tarefas repetitivas, baixo salário e alto potencial de serem substituídos por tecnologia.

O apoio do Consulado da Alemanha ao Arte É Informação amplia o trabalho de construir alternativas de inserção no mercado por meio da arte e da comunicação, em rede, com o território, fomentando a autonomia e a geração de renda. Paraisópolis é um dos pontos dessa rede que se fortalece e se expande, junto com Brasilândia, São Mateus e Grajaú.

Texto por simone cunha, diretora de Desenvolvimento Institucional da Énois

O ano é 2025, e os olhos do mundo estão voltados para a região Norte do Brasil

O ano é 2025, e os olhos do mundo estão voltados para a região Norte do Brasil. Mas a relação da Énois com esse território não é de agora. Mesmo nascida em São Paulo, nossa conexão com o Norte vem sendo construída há anos, em parceria com coletivos e comunicadores que hoje fazem parte da rede que fomentamos.

Em 2022, fortalecemos os laços com a segunda edição do programa Diversidade nas Redações, dedicado ao desenvolvimento institucional de iniciativas de jornalismo independente no Norte e Centro-Oeste. Foi um período intenso de trocas e aprendizados ao lado do Tapajós de Fato (PA), Carta Amazônia (PA), Correio do Lavrado (RR), Rondon Oficial (RO), Redação News (PA), Portal Manaós (AM) e Tocantins em Foco (TO), para destacar somente as organizações da região Norte.

Entre 2022 e 2023, aprofundamos ainda mais essa presença ao realizar cinco ciclos de formação do programa Jornalismo e Território – edição Justiça Climática, voltado para comunicadores de toda a região. Durante essa jornada, estreitamos laços com iniciativas como Abaré Jornalismo (AM), Maré Cheia Produtora (PA) e Na Cuia Produtora Cultural (PA), além de diversos outros comunicadores e comunicadoras.

Foi no TechCamp, em 2023, que essa conexão ganhou um novo significado. Pela primeira vez, representantes de iniciativas periféricas de todo o Brasil puderam vivenciar Belém e a região Norte de uma forma mais afetiva e visceral. Para muitas dessas organizações, esse contato direto com os saberes, territórios e comunicadores locais foi uma experiência transformadora.

Ao longo do evento, reunimos 60 representantes de iniciativas de jornalismo e comunicação independente de todo o Brasil para formações e mentorias. Além de um momento de muito aprendizado para a Énois, o TechCamp marcou uma virada de chave na forma como co-criamos nossos projetos: agora, com uma abordagem ainda mais descentralizada e fortalecendo pontes que antes pareciam distantes.

Ter construído essas relações ao longo dos anos significa muito para a Énois. Mais do que uma presença institucional, essa trajetória reflete um compromisso real com o território, com as pessoas e com a comunicação popular que nasce a partir dessas conexões.

Agora, em 2025, começamos o ano com uma edição especial do Prato Firmeza, o projeto mais longevo da casa, desta vez mergulhando na culinária de Belém e Manaus. Essa iniciativa vem sendo gestada desde 2021, com a consultoria da Clarinda Sateré Mawé, antropóloga e chef de cozinha da Casa de Comida Indígena Biatüwi, de Manaus.

Junto ao Tapajós de Fato, Puxirum do Bem Viver, Rede de Comunicadores da COIAB, Amanda LeLibras e outros profissionais da região, estamos cocriando um livro sobre a gastronomia das quebradas de Belém e Manaus. Porque contar essa história é também resgatar as raízes da culinária brasileira e sua conexão com os territórios e saberes ancestrais.

Texto por Jessica Mota, coordenadora do laboratório Énois

Rede nacional de checagem das Eleições 2024

10 organizações distribuídas em todas as regiões do Brasil fazem parte do programa Diversidade nas Redações - Desinformação e Eleições, coordenado pela Énois Laboratório de Jornalismo
89% das pessoas moradoras de periferias no Brasil já foram vítimas de notícias falsas, de acordo com o Instituto Data Favela, em pesquisa divulgada em julho deste ano e, segundo o Instituto Locomotiva, 90% da população brasileira admite ter acreditado em fake news. Isso indica que combater a desinformação eleitoral de maneira assertiva só é possível em rede e conhecendo os diversos territórios populares do nosso país.
Pensando nisso, a Énois Laboratório de Jornalismo junto às organizações Agência Lume (RJ), Carta Amazônia (PA), Carrapicho Virtual (BA), Com_Texto (MT), Correio do Lavrado (RR), Olhos Jornalismo (AL), Nonada Jornalismo (RS), Teatrine TV (MS), Transmídia (SP) e Sul21 (RS) lançam nesta quinta-feira (15/08) o programa Diversidade nas Redações - Desinformação e Eleições, com patrocínio da Google News Initiative. Ainda, o projeto conta com o apoio da Agência Lupa, Agência Tatu, do Desinformante e do Reocupa.
O Diversidade nas Redações é um programa de treinamento da Énois, que tem centralidade no fortalecimento institucional e financeiro de redações jornalísticas, por  meio do impulsionamento da diversidade de gênero, raça e território. O foco na temática da desinformação e eleições, com checagem de notícias falsas veiculadas por Whatsapp,  marca o terceiro ciclo do programa que traz um diferencial na distribuição de recursos para as organizações envolvidas.
Desde a sua primeira edição, o Diversidade nas Redações nunca chegou ao valor de R$ 40 mil destinados para cada iniciativa, totalizando R$ 400 mil investidos pelo programa na rede parceira. Esse diferencial da edição é fruto de muita escuta do campo do jornalismo local sobre as suas principais demandas. Redações locais conseguem identificar desinformação com mais facilidade por terem mais proximidade com quem vive nos territórios. Fortalecer essas iniciativas é expandir as possibilidades desse ecossistema jornalístico, como mostra o relato de Géssika Costa, fundadora do Olhos Jornalismo (AL).
“Em quatro anos de existência, essa é a primeira vez que entra um recurso dessa ordem para o Olhos. Sabemos o quanto é difícil e burocrático sermos contemplados em editais nacionais e internacionais e ter um pouco mais de flexibilidade para o uso do dinheiro. Entendemos que esse recurso vai ser um divisor de águas na nossa história porque vai nos ajudar a fazer uma cobertura relevante das eleições e apoiar na estrutura geral para os próximos meses”.
O impacto do Diversidade nas Redações - Desinformação e Eleições para o portal Transmídia não é diferente. “Em termos de estrutura organizacional e financeira, é bastante significativo. Em setembro, lançaremos oficialmente o nosso site, o primeiro portal de notícias focado exclusivamente na pauta da população trans no Brasil. Com o projeto, começaremos nossas produções cobrindo as eleições, produzindo reportagens aprofundadas e estabelecendo parcerias que são essenciais para o nosso crescimento”, conta Caê Vatiero, cofundador do Transmídia.
A essência do Diversidade nas Redações e da Énois é o compartilhamento de conhecimento, e nesta edição o programa tem um caráter de multiplicação. Desde julho de 2024, as 10 iniciativas de jornalismo local parceiras estão participando de formações temáticas sobre checagem, mapeamento de desinformação, produção cultural e engajamento comunitário. Formações que serão multiplicadas nos territórios em que elas estão inseridas, alcançando um público pessoas que atuam com jornalismo local, comunicação e cultura. As formações serão gratuitas, online, e as datas estarão disponíveis nas redes sociais da Énois a partir desta quinta (25): @enoisconteudo
“A maioria das organizações parceiras no projeto já andam junto com a Énois há bastante tempo. Algumas, a gente viu surgir e crescer e decidimos resgatar essa relação em rede pensando no que faz sentido para elas, desde a questão de recursos até o foco na cobertura das eleições mesmo. Optamos por articular com duas organizações por região e fomos apresentando o projeto”, afirma Sanara Santos, coordenadora do Diversidade nas Redações - Desinformação e Eleições e diretora de Formação da Énois.
A desinformação em contextos de eleições é uma preocupação global, já que tem sido utilizada como estratégia política e de poder por diversos grupos políticos, em sua maioria de extrema-direita. O direito à informação de credibilidade, indispensável à democracia, está diretamente ligado com a escolha do voto. Em contextos periféricos essa relação toma outras proporções quando relacionada à falta de internet de qualidade e à ausência de outros direitos básicos.
"Veículos de notícias pequenos e médios são os responsáveis, muitas vezes sozinhos, por produzir jornalismo e checar informação para suas comunidades ou municípios. Por meio da Google News Initiative, buscamos apoiar iniciativas como a da Énois e fortalecer o jornalismo local, algo especialmente importante neste momento de eleições", explica Marco Túlio Pires, gerente de Parcerias de Notícias do Google no Brasil.
Após o período de formação nos territórios do projeto, a fase de checagem será iniciada em 29 de agosto. Cada organização irá mapear grupos de Whatsapp que circulam em seus territórios, espaços em que podem circular desinformação. A partir desse mapeamento, elas devem identificar notícias falsas ligadas com o contexto eleitoral. A metodologia utilizada é a do Checazap, primeiro projeto de checagens de notícias a atuar dentro do WhatsApp no Brasil, desenvolvido pela Escola de Jornalismo da Énois e o Data_Labe. E, para além das checagens, também serão produzidas matérias colaborativas com os territórios, diante das suas especificidades quando o assunto é desinformação.
A ideia é articular a distribuição de checagens e matérias jornalísticas. Assim como eventos de debates sobre desinformação e territórios,  com artistas, lideranças comunitárias, influenciadores e influenciadoras digitais nas comunidades, no pós eleições. As checagens e matérias, assim como mais informações sobre o Diversidade nas Redações - Desinformação e Eleições poderão ser conferidas nos sites e nas redes sociais da Énois Laboratório de Jornalismo e das organizações parceiras. Checagens e matérias do projeto podem ser republicadas, é só entrar em contato: sanara@old.enoisconteudo.com.br
Para apoiar o trabalho da Énois, é possível fazer doações para a campanha recorrente da organização.

O Pratinho Firmeza agora é Brasil

2024 é um ano de eleições municipais. E o que seria mais valioso debater senão a alimentação das nossas crianças e como ela acontece em diversas cidades brasileiras? A Énois Laboratório de Jornalismo junto às iniciativas Carta Amazônia (PA), Nonada Jornalismo (RS), Nós Mulheres da Periferia (SP), Teatrine TV (MS) e Tejucupapos (PE) acreditam que esta pauta é urgente.

E é pensando nisso que, na última terça-feira (23/07), lançaram o Pratinho Firmeza Brasil, um guia que traz estratégias educacionais de escolas públicas das cinco regiões do Brasil voltadas para o direito à alimentação saudável na infância. É a segunda edição do guia que tem foco no público infanto-juvenil e, desta vez, estamos comemorando a sua abrangência nacional. Confira: pratofirmeza.com.br

A primeira edição do Pratinho Firmeza foi feita nas periferias de São Paulo, trazendo a conexão entre as receitas de família, o lugar das crianças na cozinha e as possibilidades de comer bem e a preço justo com as crias nos rolês periféricos. Agora, colocamos o espaço da escola como centralidade do debate.

Para muitas crianças que vivem em situação de insegurança alimentar, em sua maioria nas periferias do nosso país, a refeição escolar pode ser a única do dia. É tamanha a responsabilidade que, no período de isolamento social na pandemia da Covid-19, muitas escolas públicas brasileiras chegaram a distribuir cestas básicas e outros tipos de alimentos para as famílias de estudantes, como garantia de alimentação enquanto as aulas estavam suspensas.

Cecília Amorim, coordenadora do Pratinho Firmeza Brasil, destaca a importância da alimentação como ferramenta de transformação social. “Sou uma pessoa que vem de escola pública, de uma família sem recursos financeiros. E então a alimentação das escolas pra mim era a principal refeição do dia. Repensar a merenda escolar, como faz o guia, é importante para combater a insegurança alimentar que existe ainda hoje”. O Pratinho Firmeza Brasil é viabilizado por meio de Lei de Incentivo à Cultura em âmbito federal e tem patrocínio do RD Saúde. A versão impressa do guia será lançada em breve pela Énois e as iniciativas parceiras.

A realização do guia também marca a comemoração de 15 anos da Énois, em 2024. A organização que atua fortalecendo o ecossistema do jornalismo local celebra esses expressivos anos de caminhada fazendo aquilo que representa a essência do seu trabalho: realizar em rede e impulsionar o jornalismo diverso quando o assunto é território, raça e gênero.

O que você encontra no guia

Prefeituras e vereanças serão eleitas em outubro em todas as cidades brasileiras e a educação infantil pública é responsabilidade das gestões municipais. Você sabe a quantas anda o debate da merenda escolar na sua cidade?

O que o Pratinho Firmeza Brasil mostra é que dá para fazer muita coisa bacana quando o assunto é escola pública e direito à alimentação saudável na infância, o que precisa é a garantia de estrutura, investimento e iniciativa do poder público.

Com uma linguagem lúdica que dialoga diretamente com as crianças e jovens, o livro é guiado pela personagem fictícia Ayó, uma menina negra, de 6 anos. Ela é uma criança com deficiência física e, por isso, está sempre acompanhada da sua cadeira de rodas enquanto conduz a narrativa Pratinho Firmeza Brasil.

Ayó se apresenta, começa explicando o que é uma horta e a sua relação com a terra desde pequeninha e também como ela se dá na horta da escola.

É desse ponto de partida que ela nos leva para as reportagens feitas pelas cinco iniciativas de jornalismo local parceiras da Énois no projeto, nas cidades de Belém (PA), Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Campo Grande (MS) e Camaragibe (PE).

As reportagens focam nas crianças e suas relações com a alimentação no âmbito escolar e são acompanhadas do quadro “O caminho da merenda”, que traz detalhes sobre o planejamento, a produção e o fornecimento da merenda em cada uma das cinco escolas.

Você confere também uma receita regional que faz sucesso com a criançada. É alimentação saudável, reivindicação de direitos e políticas públicas e diversidade regional da nossa cultura alimentar.

Ao final do guia, você encontra o jogo de tabuleiro “O que tem no pratinho?”, que tem o objetivo de fazer as crianças e suas famílias refletirem sobre o que é ou não um alimento saudável.

Massa, né? Clique aqui e baixe o guia!
Te convidamos a conhecer a sua diversidade jornalística e cultural.

O Prato Firmeza

O Prato Firmeza é o primeiro guia gastronômico a mapear restaurantes, bares, lanchonetes e carrinhos de comida das periferias brasileiras. Em suas três primeiras edições (2017, 2018 e 2019), trouxe estabelecimentos que estão fora do radar da gastronomia da cidade de São Paulo, a partir do olhar de jovens repórteres locais formados pela Escola de Jornalismo da Énois. Sempre com um olhar sensível, local e diverso.

Em 2020, a quarta edição do Prato Firmeza deu um passo muito significativo, aproximando os debates levantados pelo programa à luta antirracista. Com uma equipe 98% formada por pessoas negras, mapeou empreendimentos de pessoas negras, contando com produção jornalística dos coletivos Agência Mural, Alma Preta, Periferia em Movimento, Preto Império e Vozes das Periferias e parceria com a Feira Preta.

Em 2021, o projeto recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Economia Criativa, pelo Prato Firmeza Preto. E também organizou junto com data_labe e LabJaca o Prato Firmeza RJ (Rio de Janeiro).  Já em 2022, em parceria com PerifaCon e redação do Alma Preta, foi realizado o Prato Firmeza Geek, que apresentou cozinheiros inventivos do universo nerd, das periferias de São Paulo.

Em 2023, o guia ganha abrangência nacional com a edição “Prato Firmeza: um diálogo entre campo e cidade”, que evidenciou o caminho que o alimento faz até chegar em estabelecimentos de comida das periferias de 10 capitais do Brasil, abordando também a temática da agricultura familiar e produtores locais. No mesmo ano, a Énois também lançou o Pratinho Firmeza SP.